Domingo nublado no Rio, e eu estava na padaria com as amigas, num daqueles cafés que começam às dez da manhã e terminam quando a conta chega. Assunto? Novela, claro. Porque Quem Ama Cuida entra em nova fase essa semana e o papo não para: Arthur vai morrer na terça e ninguém, absolutamente ninguém, sabe quem matou.
O fato é que Arthur cai morto ao pé da escada no capítulo de terça-feira, dia 2 de junho, inaugurando o grande mistério da novela. A cena estava prevista para segunda, a noite de maior audiência da Globo, e foi adiada um dia. A emissora preferiu construir suspense do que entregar o choque no horário nobre mais lucrativo da semana, o que já diz muito sobre a confiança que têm nessa trama.

O que deixou a mesa do Apodoca em polvorosa foi a declaração do próprio Antonio Fagundes à revista Quem: ele gravou oito versões diferentes da morte de Arthur, cada uma com um assassino distinto, e não sabe qual vai ao ar. Nem o ator que protagonizou a cena tem o nome do culpado. A Globo blindou o mistério com uma operação de sigilo que servidor público devia aprender.

O elenco de suspeitos está generoso, porque nos últimos capítulos praticamente todo mundo acumulou motivo. Carmita tenta convencer Arthur a desistir do casamento com Adriana. Pilar fracassa na tentativa de interditar o irmão para tomar a fortuna. Otoniel rompe com a família e vai para uma pensão. Pedro declara sentimentos para Adriana. É meio elenco com razão de querer o velho fora do caminho.
Fagundes sai da novela com a agenda cheia: volta ao teatro em julho com Dois de Nós no Rio, tem dois filmes licenciados pela Globo no forno e ainda prepara a dobradinha com Tony Ramos no longa Prova de Amizade. A gente na mesa do Apodoca já combinou: vai assistir ao capítulo de terça com caderno e caneta para anotar suspeito. Isso é o que uma boa novela faz com a gente num domingo nublado.