Marcelly Garcia, conhecida artisticamente como Maré e filha de MC Marcinho, revelou ter sofrido overdoses durante um período de dependência química. A cantora também contou que Jojo Todynho custeou seu tratamento quando ela precisou ser internada.
Eu já tinha encerrado a reunião de pauta no Leblon e seguia para o salão em Ipanema, onde precisava retocar a raiz antes de um almoço, quando recebi o trecho da entrevista. Pedi que guardassem o secador antes mesmo de ligá-lo. Tem história que não combina com barulho, piada nem escândalo fabricado: a menina falou de violência, luto, drogas e sobrevivência.

Durante participação no programa “O Que Tá Rolando”, da FM O Dia TV, Maré relatou que convive com transtornos mentais desde a adolescência. Segundo ela, recebeu o diagnóstico de TDAH aos 13 anos e de transtorno de personalidade borderline aos 18.
No início, MC Marcinho teve dificuldade para compreender o sofrimento da filha. Com o tempo, porém, passou a pesquisar sobre os diagnósticos e se tornou seu principal ponto de apoio.
“O meu pai começou a pesquisar, ir atrás e querer entender. A partir dali, foi a pessoa que mais compreendeu os meus problemas, enquanto todo mundo dizia: ‘Essa menina é mimada’. O meu pai sabia que o problema era na minha cabeça, e não financeiro”, contou.
A morte do funkeiro, em agosto de 2023, agravou o estado emocional da artista. Maré revelou que, aproximadamente um mês antes da perda do pai, também havia sido vítima de violência sexual.
“Quando perdi o meu pai, perdi minha base. Tive algumas internações psiquiátricas e, depois disso, quando vi que estava completamente sem chão, me senti sozinha e abandonada”, desabafou.
Parei diante do espelho do salão com a capa ainda aberta e voltei o vídeo. Não era apenas o relato de uma filha famosa sobre o pai. Era uma jovem explicando como vários traumas se acumularam até ela deixar de enxergar uma saída.
Maré afirmou que seus irmãos tiveram papel essencial para mantê-la viva. Ela também falou sobre a mãe, que enfrentava as próprias dificuldades após a morte de MC Marcinho. “Se hoje estou viva, aqui falando, foi porque meus irmãos lutaram muito pela minha vida. Minha mãe também estava mal, mas hoje é um orgulho tê-la de volta, cuidando e lutando pela gente”, declarou.
Foi durante esse período que a cantora começou a consumir drogas. A dependência avançou, provocou overdoses e terminou em uma internação. Segundo Maré, Jojo Todynho soube da situação e não hesitou em pagar pelo tratamento.
“Depois de eu quase morrer por algumas overdoses, internei, e quem pagou meu tratamento foi a Jojo Todynho. Jojo me abraçou muito, sou muito grata e ela não pensou duas vezes em ajudar”, revelou.
Minha cabeleireira, que já estava com a tintura preparada, largou o pincel por alguns segundos. Jojo é uma mulher que coleciona brigas públicas, mas esse gesto aconteceu justamente quando não havia plateia, ring light ou postagem patrocinada. Ela colocou dinheiro num tratamento e ajudou a preservar uma vida.
Maré também falou sobre a dificuldade enfrentada por pessoas em recuperação para reconstruir a própria reputação. “A gente tem a nossa credibilidade quebrada. As pessoas não querem trabalhar com alguém que já foi drogado”, lamentou.

MC Marcinho morreu aos 45 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos provocada por graves problemas cardíacos e renais. Conhecido como o Príncipe do Funk, ele deixou cinco filhos e sucessos como “Glamurosa”, “Rap do Solitário” e “Garota Nota 100”.
Agora, Maré tenta construir sua trajetória na música apostando no R&B. O sobrenome artístico carrega o peso de MC Marcinho, mas a história que ela decidiu contar pertence somente a ela: uma sobrevivente que expôs as próprias cicatrizes e revelou o gesto silencioso de Jojo Todynho quando sua vida corria perigo.