Paulo Figueiredo deve ser processado pelo Metrópoles após dirigir ofensas misóginas e de teor sexual contra a jornalista Natália André, apresentadora do “Acorda, Metrópoles”. O ataque ocorreu depois que ela comentou uma reportagem sobre a venda de uma casa do empresário na Flórida, dois dias antes do segundo turno das eleições brasileiras.
Ainda de camisola, eu abri as janelas do Cosme Velho e dei de cara com esse céu nublado de domingo. Mas o que pesou mesmo não foi o tempo, foi ler que um homem se achou no direito de atacar uma jornalista com baixaria sexual porque não gostou de uma análise jornalística. Que elegância de porão, meu amor.
Natália comentava a venda de uma residência que teria servido de sede a uma entidade da qual Figueiredo é vice-presidente. Em resposta, ele a chamou de “baranga” e publicou uma frase de conteúdo sexual contra a profissional.

Aí eu fiquei olhando a rua vazia e pensando na pobreza do argumento. Discordar de reportagem é direito de qualquer pessoa. Pedir correção, apresentar documentos, contestar informação, tudo isso faz parte. Mas quando a resposta vira ataque ao corpo, à sexualidade e à dignidade de uma mulher, acabou o debate e começou a agressão.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji, repudiou a publicação e classificou o episódio como ataque misógino. A entidade afirmou que críticas ao trabalho da imprensa podem ser feitas, mas ataques pessoais contra jornalistas são inaceitáveis. A nota da Abraji também lembrou outros episódios de hostilidade contra mulheres jornalistas.
Enquanto puxo a cortina para deixar entrar esse ventinho de domingo, faço uma observação muito simples: jornalista não vira alvo porque alguém não gostou da pergunta, da notícia ou do contexto. Mulher nenhuma deve pagar com humilhação pública por estar trabalhando. Não existe “opinião forte” quando o recurso escolhido é misoginia.

Segundo apuração do DCM, o Metrópoles prepara uma estratégia jurídica para responsabilizar Figueiredo, que vive nos Estados Unidos. O veículo ainda não divulgou comunicado oficial sobre o caso, mas a reportagem informou que a direção decidiu não ignorar as ofensas contra sua profissional.
Eu espero mesmo que venha resposta à altura, porque esse tipo de ataque só prospera quando parece não ter consequência. E não, minhas filhas, não é “briga de internet”. É uma tentativa velha de silenciar mulher com insulto, só que agora registrada, exposta e com a porta da Justiça batendo