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Kátia Flávia
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Flávio Bolsonaro compra briga com a Globo após Fantástico e chama emissora de medrosa

Senador reage à reportagem sobre sua fuga para os Estados Unidos, acusa a Globo de negar direito de resposta e exige entrevista sem cortes.

Kátia Flávia

02/11/2026 9h08

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Segundo o político, a emissora não aceitou sua condição de conceder uma entrevista que fosse exibida na íntegra, sem cortes.

Feriado de Finados, minhas criaturas! Enquanto metade do Rio de Janeiro resolveu descansar, eu continuo no batente. Estou aqui no, no Cosme Velho, tomando um suco de pera geladinho e tentando digerir duas coisas: o café da manhã e a coragem de Flávio Bolsonaro de comprar uma briga pública com a maior emissora do país. Assisti à reportagem do Fantástico deste domingo (1º) e, logo depois, fui conferir a nota publicada pelo senador. Meus amores, o homem não gostou nadinha do que viu. E resolveu transformar uma discussão sobre entrevista em um verdadeiro confronto com a Globo.

A reportagem do Fantástico mostrou os bastidores da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial de 25 de outubro. O programa abordou os acontecimentos que antecederam a viagem e apresentou, ao final, um posicionamento de Frederick Wassef, advogado do senador. Mas Flávio queria mais. Segundo ele, a Globo o convidou para uma entrevista exclusiva, que só seria concedida mediante uma condição: exibição integral, sem cortes e sem assuntos proibidos. A emissora não aceitou seguir nesses termos, conforme o relato do próprio político.

E foi aí que o suco de pera quase desceu atravessado. Flávio publicou uma nota nas redes sociais acusando a Globo de tentar destruir sua reputação e disparou: “Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação.” Medo, meus amores? É uma palavra e tanto para definir uma negociação editorial que não terminou como o entrevistado desejava. Uma coisa é pedir espaço para apresentar sua versão. Outra, bastante diferente, é querer estabelecer previamente como uma emissora deve editar e exibir uma entrevista.

Mas Flávio não parou na televisão. Na mesma manifestação, afirmou que deixou o Brasil por causa de uma suposta perseguição judicial. Disse que, apenas sete minutos depois do anúncio do resultado eleitoral, já existia uma decisão com medidas cautelares contra ele. Também mencionou a condenação do pai, Jair Bolsonaro, a mais de 27 anos de prisão e classificou o processo judicial como injusto e parcial. São acusações graves, apresentadas pelo senador em sua defesa, e que não podem ser confundidas com fatos comprovados apenas porque foram publicadas em uma rede social.

O detalhe que mais me chamou a atenção, entretanto, veio no encerramento da nota. Flávio anunciou que pretende conversar com grandes veículos nacionais e internacionais nos próximos dias, prometendo entrevistas sem cortes e sem filtros. Ou seja, depois de acusar a Globo de medo, o senador decidiu transformar sua próxima aparição na imprensa em mais um capítulo da disputa política. A estratégia é evidente: levar o embate com o Fantástico para além da televisão e manter sua versão dos acontecimentos circulando nas redes sociais.

Agora, aqui entre nós, existe uma diferença fundamental entre direito de resposta e exigência de controle editorial. O primeiro tem previsão legal, observados seus requisitos. O segundo não constitui uma obrigação automática para qualquer veículo de comunicação. A Globo apresentou o posicionamento do advogado de Flávio na reportagem, enquanto o senador sustenta que isso não foi suficiente. E é justamente nessa diferença que mora a discussão. Vou terminar meu suco de pera porque, pelo visto, o feriado será de descanso para muita gente, menos para esta jornalista. Flávio quer falar sem cortes. A Globo quer preservar seus critérios editoriais. E o público tem o direito de conhecer os fatos, não apenas a versão mais conveniente de cada lado.

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