Datena decidiu que agora é “federal ou nada” e recolocou o crachá de candidato em cima da bancada, de olho em uma vaga na Câmara e no palanque de 2026. Eu li as articulações nos bastidores e a impressão é uma só: a política brasileira não supera um comunicador com índice de audiência e ego compatível com prédio da Faria Lima.
Não é a primeira vez que ele ensaia essa coreografia, você sabe, eu sei, o TSE sabe. Já foi flerte com prefeitura, namoro com Senado, paquera com meio mundo de partido, sempre com direito a coletiva, promessa, jingle pronto e, na hora do “valendo”, volta correndo para a segurança do estúdio. Dessa vez, porém, o papo é que tem partido apostando nele como vitrine de segurança pública e puxador de voto pesado, o que dá um pouco mais de cheiro de realidade do que aquelas pré-candidaturas que duravam menos que casal de reality.
Nas redes, o roteiro é clássico: nome dele subindo em busca, print de manchete voando em página de fofoca política e fã de policialesco vibrando como se ele fosse salvar o país em horário nobre. Enquanto isso, o perfil oficial faz aquele silêncio milimetricamente calculado, repostando corte de programa e fingindo que nada está acontecendo, porque todo bom pré-candidato sabe que um “ainda estou pensando” rende mais engajamento que uma filiação assinada. E os coleguinhas de TV, claro, já medem like, unfollow e sumiço súbito de foto de bastidor para tentar adivinhar quem vai ficar sem cadeira quando a música da lei eleitoral parar.
Eu soube dessa nova investida sentada num café em Palermo Soho, olhando portenho discutindo política como se estivesse comentando final de Copa. Pedi um café, abri o celular e lá estava ele, dominando timeline brasileira enquanto o garçom me perguntava se Datena era tipo um apresentador de futebol. Expliquei que é pior: é apresentador que descobriu que câmera dá voto, e que no Brasil isso costuma valer mais que plano de governo.
Meu veredito? Se ele realmente largar a TV para disputar Brasília, temos uma das campanhas mais barulhentas dos próximos anos; se recuar de novo, vira oficialmente o Fiuk das urnas, sempre cotado, nunca protagonista. De qualquer jeito, emissora, partido e eleitor vão ter que decidir se querem Datena como âncora de telejornal inflamado ou como deputado aprendendo a apertar botão em plenário, porque dessa vez o prazo da lei não perdoa nem estrela acostumada a mandar cortar para o intervalo.