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Kátia Flávia
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PL inventa que Caetano pegou em armas e leva correção ao vivo no Senado

Na sabatina do advogado-geral Jorge Messias para o STF, o senador Marcio Bittar tentou incluir Caetano Veloso num discurso sobre guerrilha armada durante a ditadura. Otto Alencar precisou interromper tudo para lembrar que o homem sempre só pegou violão

Kátia Flávia

29/04/2026 16h00

moldebjbr

PL inventa que Caetano pegou em armas e leva correção ao vivo no Senado | Reprodução

Amores estou terminando o almoço e rindo de coisa nenhuma, quando o telefone começou a vibrar com prints do Senado Federal. Em Brasília, a tarde de quarta-feira prometia sabatina de Jorge Messias, o advogado-geral indicado por Lula para a vaga do STF aberta pela aposentadoria de Barroso. O que ninguém esperava era que a sessão virasse aula de revisão histórica, com correção ao vivo, microfone aberto e tudo.

O senador Marcio Bittar, do PL do Acre, tomou o microfone e, em meio ao discurso, afirmou que Fernando Gabeira e Caetano Veloso haviam “pegado em armas” durante a ditadura militar. Falou de guerrilha urbana, rural, justiçamento. Falou com aquela convicção de quem acredita piamente no que inventou. O problema é que Caetano Veloso foi preso, exilado e nunca empunhou nada além de violão e microfonão num palco.

A correção veio imediata, do senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, que pediu educadamente para Bittar retirar a citação: “Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira em violão.” A frase é boa demais para ter saído num momento de estresse. Otto entregou humor, precisão histórica e elegância carioca num único período. Bittar recuou. A sabatina continuou.

O contexto da confusão toda: Messias, 45 anos, pernambucano, está no governo Lula desde 2023 como AGU e precisa de aprovação do Senado para vestir a toga do STF. A sessão na CCJ já era politicamente tensa antes mesmo de começar, com a oposição preparada para usar cada minuto do microfone. Bittar resolveu usar o dele para incluir o compositor tropicalista num argumento que ele mesmo não conseguiu sustentar por cinco minutos.

Senador do PL, no Senado Federal, em sessão transmitida ao vivo, confundiu Caetano Veloso com guerrilheiro armado, levou correção pública e ainda precisou retirar a fala. A ironia completa é que Caetano, provavelmente em algum lugar do mundo neste momento, nem sabe que foi promovido a combatente clandestino por um parlamentar que agora quer esquecer que abriu a boca.

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