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Kátia Flávia
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Pedro Henrique mira Ana Maria em ação contra a Globo

Pedro Henrique Espínola, ex-BBB 26, entrou com uma ação de R$ 4,2 milhões contra a Globo e incluiu no processo críticas a falas de Ana Maria Braga após sua saída do reality. O caso já nasceu com cheiro de confusão premium, porque mistura assédio, daytime da emissora, processo milionário e uma tentativa bem ousada de devolver o vexame no foro certo.

Kátia Flávia

20/03/2026 13h00

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Ex- participante do BBB 26 entrou com uma ação judicial contra a Globo e a apresentadora do Mais Você. (Foto: Reprodução/ Google Imagens)

Tentando não me meter em confusão hoje , quando me ligam com um daqueles enredos que o Brasil produz com uma convicção quase artesanal. Pedro Henrique, ex-BBB 26, decidiu processar a Globo e ainda puxou Ana Maria Braga para dentro do embrulho. Aí pronto, a receita do caos estava montada, reality, acusação, programa de auditório matinal e um processo de R$ 4,2 milhões servido com indignação jurídica.

O que está no centro da ação é a saída dele do programa após o episódio de assédio envolvendo Jordana, seguida da reação pública da emissora e de falas exibidas no Mais Você. Segundo a petição, Pedro pede indenização por quebra de contrato, danos morais e materiais, além da anulação da rescisão com o reality. No texto, a defesa afirma que Ana Maria teria extrapolado a opinião pessoal ao comentar o caso no ar, transformando a fala em manifestação institucional da emissora sem apuração definitiva e sem direito de resposta. Ou seja, o rapaz resolveu dizer que não bastou ser expulso do jogo, ele quer discutir também o tribunal montado no café da manhã.

E a coisa piora, ou melhora, depende do seu gosto pelo barraco judicial. O documento ainda cita outro comentário de Ana Maria, desta vez sobre Ana Paula Renault, e traz um trecho especialmente agressivo contra a apresentadora, com palavras que tentam desqualificá-la para reforçar a tese da defesa. Só que aí entra o detalhe que deixa tudo mais curioso, apesar do ataque, Pedro não pretende processá-la individualmente. A estratégia é jogar a responsabilidade no colo da Globo e incluir Ana Maria como responsável solidária no polo passivo da ação. Em português claro, ele quer que a emissora pague a conta do que foi dito por uma de suas vozes mais conhecidas.

Tô conferindo o feed entre uma loja e outra na Via Montenapoleone e já consigo ouvir o barulho dessa história na internet. Vai ter a turma que acha tudo uma ousadia risível, a turma que vai chamar de reparação, a turma que só quer recortar a fala da Ana Maria e jogar no X como se estivesse descobrindo a pólvora. Minha leitura, com a maldade elegante que a ocasião pede, é que Pedro percebeu uma coisa importante, no Brasil, a execração pública rende mais discussão do que o fato original, e ele está tentando transformar a humilhação televisiva em tese jurídica.

O BBB continua sendo esse lugar mágico onde o participante sai da casa, mas o enredo se recusa a sair dele. Pedro agora tenta reescrever a própria narrativa fora do confessionário e dentro do tribunal, mirando não só a Globo, mas o poder simbólico de quem comenta, condena e distribui sentença com xícara na mão. Em Milão, eu só observo, reality acaba, contrato acaba, paredão acaba, mas a vontade de prolongar o drama brasileiro até a última instância continua firme, forte e, convenhamos, muito bem alimentada.

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