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Kátia Flávia
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Pedro Bial revela gafe com Tom Jobim e pior entrevista vira trauma na TV

No Mesa da Rita, Pedro Bial contou que sua pior entrevista foi com Tom Jobim, em 1985, depois de uma pergunta sobre “Água de Beber” azedar o clima. E eu, de São Paulo, senti o constrangimento batendo no secador.

Kátia Flávia

27/05/2026 13h00

Até os maiores nomes da televisão carregam entrevistas que viraram fantasma profissional. E, no caso de Pedro Bial, bastou uma pergunta sobre “Água de Beber” para transformar um encontro com Tom Jobim em trauma eterno de jornalista. - Reprodução

Até os maiores nomes da televisão carregam entrevistas que viraram fantasma profissional. E, no caso de Pedro Bial, bastou uma pergunta sobre “Água de Beber” para transformar um encontro com Tom Jobim em trauma eterno de jornalista. – Reprodução

Eu estava em São Paulo, entre um café nos Jardins e uma manicure que sabe mais da Globo do que muito executivo de aquário, quando esse babado caiu no meu colo. Pedro Bial resolveu abrir a gaveta da vergonha e contou que sua pior entrevista foi com Tom Jobim. Minha filha, quando um homem com décadas de televisão confessa trauma, eu paro até de escolher esmalte.

A história aconteceu em 1985, numa gravação para o Globo Repórter, no Catetinho, no Distrito Federal. Bial ficou nervoso diante de Tom Jobim e tentou puxar assunto com “Água de Beber”. Mandou um “E aí, Tom? Foi água de beber?”, e recebeu de volta um banho gelado de impaciência.

Tom, segundo Bial, já não aguentava mais falar da música e respondeu que estava de saco cheio do assunto. O apresentador admitiu que foi descuidado, desatento e mané, palavras dele, porque homem famoso quando se arrepende também sabe fazer inventário da própria bobagem. Eu gosto de confissão assim, com culpa, suor e um pouquinho de humilhação cultural.

O mais saboroso é que Bial disse se chicotear até hoje pela cena. Quarenta anos depois, a pergunta continua voltando como boleto emocional, dessas lembranças que entram sem bater e sentam no sofá da alma. E vamos combinar, diante de Tom Jobim, até jornalista experiente podia virar repórter de primeiro crachá segurando microfone com a mão gelada.

Agora, Bial está mergulhado na vida e na obra de Tom para uma série documental sobre o compositor. A vergonha virou pesquisa, a gafe virou redenção, e a entrevista ruim ganhou segunda vida na roda de fofoca fina. Aqui em São Paulo, eu fechei a bolsa e dei meu veredito: quem desafina diante de Tom Jobim pode até sofrer, mas se transformar vexame em documentário, pelo menos sai do tom com classe.

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