Estou num café no Palermo, em Buenos Aires, esperando um croissant que demora mais do que político responde ligação. Porque o Paulo Serra, por enquanto, não está atendendo o meu celular. Tentei duas vezes desde que li a nota oficial do PSDB paulista desmentindo aquela história de que o partido teria recuado da disputa pelo governo de São Paulo. A nota é firme, o partido está de pé, a pré-candidatura existe e o tucano segue no páreo para 2026.
O comunicado, assinado pelo próprio Paulo Serra, na condição de presidente da Executiva Estadual e pré-candidato, foi categórico: não houve recuo, não existe qualquer reunião marcada para discutir desistência e o foco permanece na construção de um projeto para o estado de São Paulo. Nada de bandeira branca, nada de retirada estratégica, nada de tucano abandonando a pista antes da largada.

O movimento acontece em um momento importante para o PSDB, partido que governou São Paulo por quase três décadas consecutivas e agora busca reposicionar sua marca em um cenário político completamente diferente daquele que o levou ao protagonismo estadual. A legenda tenta reconstruir espaço, fortalecer sua base e demonstrar que ainda pretende disputar o comando do maior colégio eleitoral do país.
Na nota, Paulo Serra reforça que o trabalho segue concentrado na formação de alianças, no diálogo com diferentes setores e na elaboração de propostas voltadas ao futuro do estado. A estratégia passa pela construção de uma candidatura competitiva em um ambiente cada vez mais disputado.
Mas, convenhamos, minha gente, comunicado político é uma arte muito curiosa. Ele responde exatamente aquilo que quer responder. E foi justamente isso que me chamou atenção aqui do outro lado do continente.
Porque a nota fala em alianças. Fala em diálogo. Fala em construção. Fala em projeto. Mas não fala em vice.
E quem acompanha bastidor político sabe que, muitas vezes, é justamente aí que começam as conversas mais interessantes. O nome que vai compor uma chapa costuma revelar muito sobre a estratégia eleitoral, os apoios que estão sendo costurados e o caminho que a campanha pretende seguir.
Tentei falar com o Paulo Serra justamente para entender essa parte da história. Até agora, sem sucesso. O celular dele deve estar ocupado entre reuniões, articulações e aqueles encontros que oficialmente não existem, mas que sempre aparecem quando a eleição começa a ganhar forma.
Enquanto isso, sigo aqui em Buenos Aires, alternando entre café, croissant e atualizações de bastidor. Porque candidatura existe. Projeto existe. Nota oficial existe. Mas política, minha filha, começa mesmo quando surgem os nomes que ainda não foram anunciados.