Lewis Hamilton virou assunto fora das pistas neste domingo (07), em Mônaco, depois de aparecer usando um look roxo com capa ampla nos bastidores da Fórmula 1. O visual do piloto da Ferrari dividiu opiniões nas redes e rendeu comparações com papa, Obi-Wan Kenobi e figurino de cerimônia milionária.
Eu já tinha saído do terminal de Colonia del Sacramento e finalmente pisado nas ruas de pedra com a delicadeza de quem tenta não torcer o pé antes da primeira foto bonita do passeio. Entrei numa lojinha pequena, dessas que vendem ímã, doce de leite e chapéu que ninguém precisa, quando o celular me mostrou Lewis Hamilton todo trabalhado na capa roxa em Mônaco. Parei entre uma prateleira de alfajores e uma cerâmica pintada à mão. Porque Fórmula 1 eu esperava ver com capacete, macacão e motor berrando. Mas Hamilton apareceu vestido como se fosse abençoar a largada e ainda cobrar dízimo em euro.

O piloto britânico foi filmado caminhando pelo paddock com uma produção roxa, longa e estruturada, em clima de alta moda. Não demorou para a internet fazer o que a internet faz melhor: transformar roupa cara em tribunal popular.
Um internauta resumiu a produção com “vibes de Obi-Wan”, em referência ao personagem de “Star Wars”. Outro disparou: “Que ridículo”. Teve ainda quem ironizasse: “É isso que acontece quando as pessoas tem dinheiro demais”. Um perfil foi mais ácido e perguntou: “Ele é cafetão da Kim?”. Outro escreveu, em italiano, “lixo com dinheiro”.
A comparação com figura religiosa também apareceu forte. Entre a capa roxa, o andar solene e o cenário luxuoso de Mônaco, parte da web passou a tratar Hamilton como uma espécie de “Papa da Ferrari”. Um usuário ainda brincou com o título de nobreza do piloto: “Ele é Sir? Então o que isso faz da parceira dele?”. Outro resumiu apenas: “Palhaço”.
A ironia é que, dentro da pista, Hamilton não está exatamente em dia de figurante. Segundo os resultados da classificação do GP de Mônaco, Kimi Antonelli ficou com a pole position, Max Verstappen larga em segundo e Hamilton sai em terceiro pela Ferrari, logo à frente do companheiro Charles Leclerc. Ou seja: enquanto o povo discutia a capa, o homem estava na segunda fila em uma pista onde posição de largada vale quase como escritura de imóvel.
Mônaco, como sempre, transforma tudo em espetáculo. A pista é estreita, ultrapassar é um sofrimento e cada detalhe vira personagem: o guard-rail, o iate, o túnel, a curva, a roupa. Hamilton sabe disso melhor do que ninguém. Ele já foi rei da Mercedes, agora tenta escrever outro capítulo na Ferrari, e se para isso precisar aparecer parecendo uma autoridade religiosa da moda, ele vai aparecer.
O problema é que a internet não perdoa nem heptacampeão. Ainda mais quando o look chega antes do ronco do motor.

Saí da lojinha com um doce de leite que eu não precisava e a certeza de que Lewis Hamilton entende uma coisa muito simples: em Mônaco, meu amor, ninguém entra discreto. Uns chegam de iate. Outros chegam de Ferrari. Hamilton chegou de capa roxa, cara de missa solene e grid competitivo. Se ganhar, vira gênio fashion. Se perder, a internet vai dizer que faltou só a fumaça branca.