Gaby Amarantos vive uma fase de palco cheio, agenda internacional no radar e vida amorosa sem pressa. Em turnê com o álbum “Rock doido”, a cantora celebrou a solteirice após o fim do casamento de dez anos com o fotógrafo Gareth Jones e entregou, sem fazer cerimônia, como andam os contatinhos: “O que vier e me atrair é legal, mas não vou negar que os ‘novinhos’ estão entregando tudo. Quando são conscientes, têm o seu valor.”
No Cosme Velho, eu já tinha largado o copo na pia, aberto o armário e começado aquela operação delicada de escolher roupa para almoço de domingo com amigas, que parece simples, mas envolve clima, humor, fofoca acumulada e a possibilidade real de encontrar alguém indesejado no caminho. Uma delas mandava áudio perguntando se o sol ia segurar. Outra queria saber se o restaurante tinha mesa boa. Aí apareceu Gaby falando dos novinhos. Parei com um brinco na mão. Porque tem entrevista que informa, tem entrevista que promove disco e tem entrevista que entrega pauta pronta para a mesa das 11h.

A cantora está rodando o Brasil com a turnê de “Rock doido”, considerado por ela o projeto mais ambicioso de seus 30 anos de carreira. O show estreou no Rio como atração principal do Queremos! Festival, no Vivo Rio, com batidão paraense, telões de LED, pirotecnia, coreografias e oito trocas de roupa.
“É o maior em todos os aspectos, desde a dedicação pessoal aos investimentos e alcance. São mais de 300 pessoas envolvidas. É uma vitória colocar esse show no palco sendo artista independente”, afirmou Gaby.
O disco também virou um marco fora dos palcos. A versão em vídeo de “Rock doido”, filmada em plano-sequência com câmera de celular, chamou atenção pela ousadia visual e pela estrutura montada com dança, aparelhagens e referências amazônicas. “Sabíamos que estávamos fazendo algo revolucionário, mas não imaginávamos causar tanto impacto na indústria”, disse.
Gaby também comemorou o reconhecimento comercial e artístico do projeto. “É a primeira vez que faço merchan e tenho essa lacuna de autoestima artística preenchida. Essa coisa de ter uma camiseta com uma foto minha para as pessoas comprarem, assim como um vinil bem lindo. É um momento de muita plenitude. Algo do tipo ‘finalmente a aclamação veio’, sabe?”, celebrou.

A paraense agora negocia shows internacionais para o segundo semestre e vê o álbum como uma nova possibilidade de exportação da música brasileira. “É um som global e tem muita gente de olho na cultura brasileira lá fora. Sinto o ‘Rock doido’ como a nossa próxima música para exportação”, afirmou. Ela também explicou que decidiu manter o foco nas próprias raízes: “Já pensei em cantar em inglês ou espanhol, o que não seria um problema. Mas, quando olhei para a minha raiz, entendi que o meu ouro está aqui.”
Sobre o emagrecimento, a cantora afirmou que a mudança não teve relação direta com o fim do casamento. “Mas eu me separei porque quis. Estávamos vivendo um relacionamento em que não estávamos felizes. Então, decidimos ter essa responsabilidade afetiva”, explicou. “Nos amamos e continuamos amigos. Esperamos dois anos para tornar o fim público e, por coincidência, emagreci nesse período.”
Na frente do espelho, tentando decidir se o brinco era demais para uma manhã de domingo ou exatamente o nível de drama que o almoço merecia, mandei no grupo: “Gaby disse que os novinhos estão entregando tudo”. Em três segundos, as amigas esqueceram previsão do tempo, reserva e horário. A pauta estava servida antes do couvert. Porque Gaby pode até estar exportando o tecnobrega, mas essa frase, meu amor, já nasceu patrimônio nacional da solteirice bem resolvida.