O torcedor acusado de participar dos xingamentos contra Virginia Fonseca no Maracanã publicou um vídeo de desculpas após a repercussão do caso. Ao lado da esposa, ele negou ter iniciado as ofensas, admitiu que errou ao acompanhar os ataques e pediu que os filhos não fossem envolvidos na situação.
Eu tinha pedido a conta no restaurante em Ipanema e aguardava o manobrista trazer o carro quando o vídeo apareceu no celular. Parei na calçada, ajeitei os óculos e assisti até o fim. Amores, ele surgiu acompanhado da mulher e com aquela postura típica de quem entendeu que o problema saiu da arquibancada e ganhou proporções muito maiores. Não posso afirmar que a gravação tenha sido uma exigência doméstica, evidentemente. Mas a cena carregava uma energia bastante específica de quem precisava dar explicações para muita gente ao mesmo tempo.

A confusão começou no último domingo (31), durante a partida entre Brasil e Panamá. Virginia foi alvo de xingamentos nas arquibancadas do Maracanã e, posteriormente, compartilhou uma reflexão nas redes sociais sobre violência, humilhação pública e ataques coletivos.
“Vim publicamente pedir perdão para Virginia Fonseca. Eu entendi o que eu errei, de verdade. Estou aqui, do fundo do meu coração, falando normal, não tem nada editado. É um vídeo simples pra Virginia e pra todas as mulheres que se sentiram ofendidas”, declarou.
O torcedor também afirmou que não foi responsável por iniciar os gritos, mas reconheceu que aderir às ofensas foi igualmente errado.
“Não fui eu que puxei, mas independente de quem puxou e de onde veio, quem continuou… Tá todo mundo errado”, afirmou.
No fim do vídeo, ele revelou que perdeu sua conta no Instagram e pediu que os internautas não direcionassem ataques aos seus filhos.
“Já caiu meu Instagram, estou sofrendo o que tenho que sofrer. Só não ataquem meus filhos, por favor.”
O pedido é legítimo. Crianças não têm qualquer responsabilidade pelas atitudes dos adultos e não devem ser envolvidas em conflitos criados por terceiros. Ao mesmo tempo, o episódio reforça um debate que ganhou força nos últimos dias: arquibancada não pode ser confundida com autorização para humilhar alguém publicamente.

O pedido de desculpas não apaga o constrangimento vivido por Virginia, mas mostra que parte dos envolvidos reconheceu o excesso. E talvez essa seja a principal lição deixada pelo episódio: rivalidade, torcida e opinião fazem parte do esporte. Humilhação coletiva, não.
Quando o carro finalmente chegou, segui rumo ao Cosme Velho pensando que algumas pessoas vão ao estádio para assistir ao jogo e acabam voltando para casa precisando gravar um pronunciamento público. A Seleção Brasileira entrou em campo, mas quem acabou levando cartão vermelho foi o comportamento de parte da arquibancada.