A morte de Arthur Brandão, personagem de Antonio Fagundes em Quem Ama Cuida, abriu o maior mistério da novela das nove: quem matou o milionário no dia do próprio casamento? O laudo preliminar aponta que ele foi empurrado, Adriana virou a principal suspeita e a família Brandão entrou em uma guerra de versões, interesses e disputas por herança.
Eu tinha acabado de chegar ao hotel em Buenos Aires, ainda tentando decidir se desfazia a mala ou se fingia elegância internacional deixando tudo fechado por mais alguns minutos, quando Arthur Brandão caiu no meu colo novamente. Não literalmente, graças a Deus. Mas a pergunta surgiu com força total: quem matou Arthur Brandão?

Larguei a mala no canto do quarto e sentei na beira da cama. Porque quando Antonio Fagundes morre na novela e ainda grava oito versões diferentes da própria morte, ninguém desembarca em paz.
Na trama de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Arthur é assassinado logo após se casar com Adriana, interpretada por Letícia Colin. A cerimônia já acontecia em clima de tensão. Diná tentou impedir a união, Pilar fez questão de demonstrar sua desaprovação e Pedro precisou lidar com o fato de ver a mulher que ama se casar com outro homem.
Pouco depois, um apagão misterioso atinge o prédio e Adriana encontra o marido caído na calçada. O que inicialmente parecia um acidente rapidamente ganha contornos de assassinato.
O laudo preliminar indica que Arthur foi empurrado, transformando a recém-casada na principal suspeita da investigação.
Mas como toda boa novela das nove ensina, a primeira suspeita raramente é a única.
Pilar, interpretada por Isabel Teixeira, tinha motivos de sobra para desejar a queda do irmão. Ela tentou interditá-lo antes do casamento e jamais escondeu o desconforto diante da possibilidade de ver parte da fortuna da família nas mãos de Adriana.
Outro nome forte na lista é Ulisses, vivido por Alexandre Borges. Dependente financeiramente do irmão e enfrentando problemas econômicos, ele passa a chamar atenção após surgirem inconsistências sobre seu paradeiro na noite do crime.
Diná, interpretada por Rosi Campos, também entra no radar. A governanta nutria sentimentos antigos por Arthur e foi uma das pessoas mais afetadas pela união com Adriana.
Carmita, ex-companheira do empresário, aparece como outra personagem com razões pessoais para alimentar ressentimentos. Já Silvana se aproxima das suspeitas por sua ligação direta com Pilar e Ulisses, além dos conflitos envolvendo seu filho, Tiago.
Entre os suspeitos mais improváveis, mas não impossíveis, está Pedro, personagem de Chay Suede. Apaixonado por Adriana, ele viu a mulher que ama se casar justamente com seu padrinho e acabou ficando fora das decisões envolvendo a herança.
Otoniel, vivido por Tony Ramos, também circula entre as teorias devido aos atritos recentes com o milionário. E existe ainda Osmar Vaz, amigo de longa data de Arthur, cuja trajetória carrega mistérios que ainda não foram totalmente revelados.
Nas redes sociais, o público já assumiu o papel de investigador oficial da novela. Há quem aposte em Pilar pelo interesse financeiro, em Diná pela mágoa acumulada, em Ulisses pelas mentiras recentes e até em teorias mais ousadas envolvendo um plano arquitetado pelo próprio Arthur.
O próprio Antonio Fagundes ajudou a alimentar o suspense ao provocar os fãs durante sua despedida da trama. “Quem matou Arthur Brandão? Palpites, turminha?”, brincou o ator.
Para aumentar ainda mais a paranoia coletiva, a Globo decidiu gravar oito versões diferentes da morte. Segundo Fagundes, nem todos os profissionais envolvidos sabem qual delas será utilizada na reta decisiva da história.
A estratégia transforma cada personagem em potencial culpado e mantém o mistério protegido até os capítulos finais.

O legado de Arthur Brandão ajuda a entender por que tantas pessoas aparecem como suspeitas. Empresário poderoso do ramo de joias, ele acumulou fortuna, influência e relações complexas ao longo da vida. Cercado por familiares dependentes, antigos amores frustrados e pessoas interessadas em sua herança, o personagem construiu ao redor de si um ambiente perfeito para uma tragédia.
Agora, a morte do patriarca muda completamente o rumo da novela. Adriana luta para provar sua inocência. Pedro assume a defesa da mulher que ama. Pilar tenta controlar a narrativa. E a família Brandão transforma o luto em campo de batalha.
Fechei a mala sem desfazer absolutamente nada e aceitei que Buenos Aires teria que esperar. Porque quando uma novela mata Antonio Fagundes no início da trama, grava oito finais diferentes e deixa praticamente metade do elenco com motivos para cometer o crime, isso deixa de ser apenas um assassinato. Vira um campeonato nacional de suspeitos.