Eu estava na minha casa, no maior sossego, batendo a massa de um bolo de laranja que prometi pra umas amigas que vêm tomar café aqui mais tarde, quando o telefone tocou. Larguei a colher, lambi o dedo e atendi, porque fofoca boa não espera fermento crescer. Do outro lado, uma fonte bem informada me soltou a senha mágica: a OAB de São Paulo resolveu entrar na novela jurídica de Deolane Bezerra. Desliguei o forno mental do bolo e liguei o forno da coluna.
O babado é o seguinte: a OAB-SP realizou uma vistoria técnica no Complexo Penal de Tupi Paulista, onde Deolane está custodiada, e concluiu que a unidade possui natureza penitenciária comum, sem características que permitam enquadrá-la como sala de Estado-Maior. Com base na Lei 8.906/94, a Comissão de Direitos e Prerrogativas entendeu que o local não atende aos requisitos estabelecidos pela jurisprudência para garantir a prerrogativa prevista aos advogados. Diante disso, a entidade decidiu ingressar no habeas corpus já apresentado pela defesa da influenciadora.

Pra quem chegou agora nessa minissérie, eu relembro o roteiro. Deolane Bezerra foi presa em sua residência em Alphaville, durante uma investigação que apura suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo a acusação, valores provenientes de uma transportadora vinculada à facção criminosa teriam sido movimentados para ocultar recursos ilícitos. O caso ainda está em fase de investigação e não há condenação.
Após a prisão, a influenciadora foi transferida da Penitenciária Feminina de Santana, na capital paulista, para o complexo prisional de Tupi Paulista, no interior do estado. A unidade fica a cerca de 700 quilômetros da cidade de São Paulo e atualmente opera acima da capacidade prevista.
Esta não é a primeira vez que o nome de Deolane aparece ligado a uma prisão. Em setembro de 2024, ela também foi detida durante a Operação Integration, realizada em Recife, que investigava um esquema envolvendo apostas ilegais e lavagem de dinheiro.
Agora vem a parte mais curiosa da história. A OAB-SP fez questão de esclarecer que sua atuação não representa qualquer manifestação sobre o mérito da investigação, sobre a legalidade da prisão preventiva ou sobre a inocência da advogada. Segundo a entidade, o posicionamento está restrito à defesa das prerrogativas profissionais previstas no Estatuto da Advocacia.

O detalhe é que, ao mesmo tempo em que a Ordem atua em defesa das garantias profissionais da influenciadora, também existe um procedimento em andamento no Tribunal de Ética da própria entidade para avaliar eventuais medidas relacionadas ao registro profissional de Deolane. Ou seja: de um lado, a instituição sustenta a discussão sobre prerrogativas. Do outro, analisa questões disciplinares envolvendo a advogada.
No fim das contas, Deolane Bezerra ganha um reforço importante na disputa jurídica envolvendo as condições de custódia. Ao mesmo tempo, continua enfrentando investigações criminais e desdobramentos administrativos que podem impactar diretamente sua atuação profissional. A novela segue longe do último capítulo e promete novos episódios nos tribunais.