Antonio Fagundes brincou sobre o destino de Arthur Brandão, seu personagem em Quem Ama Cuida. O magnata foi assassinado na novela das nove da Globo, e o mistério sobre o culpado deve seguir até perto do último capítulo, previsto para ir ao ar apenas em 2027.
Eu tinha largado o celular no braço do sofá e fui tentar achar o controle remoto, que aqui em casa desenvolve vida própria aos domingos. Quando finalmente encontrei o bendito enfiado entre duas almofadas, apareceu Fagundes dizendo que “nunca morreu tanto” na vida. Aí eu sentei de novo, porque se até Antonio Fagundes está fazendo piada com o próprio cadáver fictício, a novela venceu o domingo.
A frase veio em entrevista ao Globo. Fagundes se referia às diferentes versões gravadas para manter em segredo quem matou Arthur Brandão. Em cada uma delas, o ator contracenou com suspeitos diferentes, uma estratégia clássica de novela para impedir vazamento e manter o público roendo unha até o fim.

E vamos combinar: “quem matou?” é o tempero mais brasileiro da teledramaturgia. Janete Clair inaugurou o vício nacional com O Astro, Gilberto Braga parou o país com Odette Roitman em Vale Tudo, e agora Walcyr Carrasco entra na fila com Arthur Brandão estirado no chão e meia novela com cara de culpada.
Fagundes também falou sobre a chance de voltar à trama mesmo depois da morte do personagem. Segundo ele, Walcyr gosta desse tipo de recurso, então uma aparição como fantasma, lembrança ou flashback não estaria fora do cardápio dramatúrgico.
Eu, pessoalmente, acho que Fagundes morto em novela ainda trabalha mais que muito personagem vivo. O homem morre, grava várias versões, pode voltar como espírito, lembrança, trauma de herdeiro e talvez até assombração de sala de jantar. É CLT do além, meu amor.
Depois de seis anos afastado das novelas, o ator também comentou as mudanças na rotina de gravação. Ele afirmou que a tecnologia está mais apurada, com câmeras independentes, iluminação mais cuidadosa e atenção até à textura da pele. Só que tudo isso, segundo ele, deixou o processo mais lento.

Fagundes comparou com a época em que se gravava com dois refletores e mais agilidade. Para ele, a televisão perdeu parte da rapidez que era sua grande vantagem. O veterano ainda brincou que nenhum artista americano aceitaria o ritmo brasileiro de gravação, mesmo com a lentidão atual.
Quem Ama Cuida conseguiu aquilo que toda novela sonha: matar um personagem importante, transformar o morto em assunto e ainda fazer o próprio ator rir do enterro dramático. Arthur Brandão se foi, mas pelo visto Fagundes ainda pode voltar para puxar pé de suspeito até 2027.