Estava na Avenida de Mayo, tomando um café num daqueles bares de mármore que Buenos Aires guarda como relíquia, quando o celular tocou: era uma das minhas meninas de Goiânia, jornalista de assessoria, que mandou os dois textos lado a lado sem comentário nenhum. Não precisava. A comparação falava sozinha.
A nota publicada pela equipe de Maiara na sexta-feira (5), em resposta ao vídeo viral de Querência, é praticamente a mesma que a equipe de Ana Castela usou em dezembro de 2025 quando a Boiadeira também virou alvo de especulações sobre aparência. Não estou falando de tom parecido, de linguagem jurídica similar. Estou falando de frases inteiras com substituição cirúrgica de dois ou três advérbios. “As medidas judiciais cabíveis estão sendo analisadas, visando não apenas reparação, mas também responsabilização pelos danos causados” virou “visando não necessariamente uma reparação, mas a responsabilização pedagógica.” E o grand finale das duas notas? “RESPEITO É INEGOCIÁVEL” — uma em maiúsculas, outra em caixa mista, mesmas quatro palavras, mesmo lugar no texto.

O X descobriu antes da imprensa, claro. Printaram, sublinharam, fizeram comparação em carrossel e o assunto subiu com velocidade de quem tinha muita munição guardada. A torcida de Ana Castela e a de Maiara, que raramente concordam em coisa alguma, se uniram em torno de uma pergunta só: quem assina essas notas? Porque claramente tem um template rodando por aí, e alguém vendeu o mesmo pacote para as duas equipes sem nem se preocupar em reescrever o suficiente.
Aqui está o ponto que minha fonte de Goiânia levantou, e eu achei preciso: a ameaça jurídica nessas notas sempre foi mais simbólica do que real. Processar internauta anônimo dá trabalho, custa dinheiro e rende indenizações modestas. O recado serve para o fã médio e para a imprensa, sinaliza seriedade, fecha o ciclo da crise. Funciona, até o dia em que alguém percebe que o recado é o mesmo da vez anterior.
Meu veredito: o sertanejo tem talento de sobra no palco e assessoria de copy-paste na crise. Quando a nota de repúdio viraliza pelo motivo errado, a máquina ficou maior do que a artista, e isso é o tipo de problema que nenhum advogado resolve com o mesmo modelo que já usou antes.