Uma amiga me ligou de Maceió ainda de manhã cedo, a voz partida, me contando o que tinha acontecido. Aqui em Bari, onde a manhã de abril chegou clara sobre o Adriático, a notícia pesou diferente. Pedrinho F.Z.N. tinha 24 horas e uma carreira inteira pela frente.
O corpo do rapper foi encontrado na terça-feira (23) dentro de sua casa, na Avenida Júlio Marques Luz, no bairro da Jatiúca. A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, esteve no imóvel, mas não divulgou qualquer informação sobre as circunstâncias. A perícia foi acionada para determinar se a morte foi natural ou violenta.



O perfil do Bumba Meu Boi Cobra Negra, grupo com o qual Pedrinho cantava, publicou uma nota de falecimento nas redes sociais reconhecendo nele um símbolo de resistência e de amor à cultura alagoana. A homenagem correu rápido entre fãs e artistas do Nordeste, que lotaram as publicações de mensagens de pesar.
Pedrinho F.Z.N. era cantor de rap e também integrava a tradição do Bumba Meu Boi Cobra Negra, expressão viva da identidade cultural de Alagoas. Com milhares de seguidores e clipes que acumulavam grande engajamento, ele era um nome em ascensão na cena musical do estado, artista que transitava entre o rap autoral e a festa popular com uma rara autenticidade.
A investigação segue aberta. Enquanto a perícia trabalha e a polícia não confirma as circunstâncias, a cena musical alagoana chora a perda de um dos seus mais promissores. Que sua voz e seu amor ao Bumba Meu Boi permaneçam.