Eu estava aqui no meu bunker de fofoca do Cosme Velho, cercada de azulejo chique, cafezinho passado na hora e três famosos reclamando de contrato no viva-voz, quando o celular começou a apitar igual sirene de reality em dia de eliminação. Era link, print, vídeo, mensagem em caixa alta, tudo com o mesmo assunto: a morte de Vovô Anésio, o vovô mais querido do Brasil digital. A sala silenciou, a taça de espumante ficou parada no ar e, por alguns segundos, até a fofoqueira aqui esqueceu de respirar.
Fato é que Anésio Fiori, o nosso Vovô Anésio, morreu neste sábado, aos 88 anos, depois de uma fase complicada de saúde e da corrida da família entre hospital, oração e atualização nas redes. Ele já vinha enfrentando uma recuperação difícil após uma queda em casa e cirurgia, situação que o público acompanhou quase em tempo real. O neto Caio foi avisando, pedindo corrente de fé, contando cada avanço e cada susto, naquele misto de boletim médico e desabafo que só quem vive de internet entende.

Para quem chegou atrasado na novela, Vovô Anésio virou fenômeno exatamente porque não parecia personagem. Era o avô de verdade, sentado à mesa, dando opinião sobre tudo, reclamando de política, falando de família, rindo das próprias histórias, enquanto Caio registrava cada detalhe e transformava rotina em conteúdo. Essa dinâmica, de neto acelerado com vovô raiz, virou ouro de algoritmo, levou os dois a baterem milhões de seguidores no Instagram, estourar no TikTok, lotar agenda de publi e até abrir caminho para as ambições políticas do neto, que surfou bonito na popularidade do avô.

Com a notícia da morte, as redes viraram um grande velório virtual. A arte de luto com o rosto sorridente de Vovô Anésio se espalhou por feed, stories, reels, grupos de família e páginas de fofoca, acompanhada de textões emocionados, emojis chorando e gente agradecendo pelos vídeos que alegraram dias difíceis. Caio apareceu em vídeos visivelmente abalado, olhos inchados, voz falhando, relembrando as conquistas dos últimos anos, falando de ataques, boatos de morte, tentativas de derrubar o trabalho deles e reforçando o tal “legado de amor” que virou bordão nessa despedida.
Do lado de cá, eu olho para essa história com o rímel borrado e a cabeça analítica ligada, porque Vovô Anésio não foi só mais um “vovô fofinho da internet”. Ele virou símbolo de uma geração de influenciadores 60+, 70+, 80+ que provaram que engajamento não tem prazo de validade e que afeto verdadeiro fura qualquer bolha de nicho. No fim das contas, o vovô mais querido do Brasil mostrou que, na era do filtro e da trend vazia, o que segura audiência é olho no olho, café na mesa e verdade dita sem roteiro, mesmo que seja para dar bronca em neto e puxar orelha de seguidor folgado.