Em vídeo publicado nesta quarta, a ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher contou que o enteado a tratou com aspereza numa ligação sobre os rumos do partido no Ceará e disse que se recolheu depois de ouvir que não entende de política. E a coluna já avisa que briga de família por trono político rende mais que qualquer novela das nove.
Eu estava aqui em casa, no maior corre arrumando a sala pra receber as amigas e assistir ao Brasil e Escócia, quando o telefone tocou no meio da bagunça. Era um amigo meu de Brasília, desses que dormem e acordam grudados no PL, quase sem fôlego do outro lado da linha. “Esquece o jogo um minuto e abre o Instagram agora, que a Michelle gravou um vídeo que tá derrubando a internet.” Larguei a tigela de petisco em cima da mesa e fui assistir na hora, porque desabafo de ex-primeira-dama eu não perco nem que o Brasil esteja batendo escanteio.
E a Michelle não economizou. Num vídeo publicado nesta quarta, a presidente nacional do PL Mulher contou que o enteado, o senador Flávio Bolsonaro, ligou pra ela e foi de uma aspereza de doer. Segundo o relato dela, teria sido melhor ele nem ter retornado a ligação, porque a desrespeitou, a tratou mal e ainda decretou que ela ficaria melhor longe das decisões do partido.
O babado começou no Ceará. A turma do PL local estava costurando uma aliança com o Ciro Gomes logo no primeiro turno da disputa estadual, e a Michelle se posicionou contra essa composição. Foi aí que veio o telefonema, e pelo que ela conta o Flávio soltou aquela pérola de que ela tinha “chegado ontem” e não entendia nada de política. Diante da humilhação, ela disse que apenas respondeu que estava tudo bem e se recolheu.
Mas a Michelle fez questão de puxar o próprio currículo antes de abaixar a cabeça. Lembrou que rodou o Brasil inteiro, montou diretório do PL Mulher nas vinte e sete unidades da federação e ajudou a eleger mais de mil mulheres em 2024. Para quem entregou esse serviço todo, ouvir do enteado que não entende de política tem gosto de tapa dado com luva de pelica. E aqui entre nós, minha filha, briga de diretório no Ceará é só a fachada, porque o que está em jogo mesmo é quem vai mandar no sobrenome Bolsonaro daqui pra frente.
Ela ainda cravou que, desde aquele dia, o Flávio não a procurou mais e que ela também não vai atrás, respeitando à risca o conselho de ficar no cantinho. No fim das contas, a primeira-dama que percorreu o país pedindo voto agora aparece nas redes contando que foi posta de escanteio pelo próprio enteado. Se tem clã na política brasileira que sabe lavar roupa suja com a janela escancarada pra rua, esse clã atende pelo sobrenome Bolsonaro.