Marina Ruy Barbosa não estará mais em “Paraíso Perdido”, próxima novela do Globoplay inspirada em obras de Nelson Rodrigues. A atriz chegou a negociar o papel principal da produção, mas as conversas não avançaram por causa de conflito entre sua agenda profissional e o cronograma de gravações.
A caminhada na Lagoa já tinha deixado de ser exercício fazia tempo e virado fofoca com tênis confortável, quando uma das meninas soltou: “Marina saiu da novela do Nelson Rodrigues”. Parei de fingir foco no cardio. Bastidor de elenco, papel principal e trama rodrigueana antes do café? A manhã prometia.
Segundo o jornal “O Globo”, havia interesse do Globoplay em contar com Marina desde as primeiras etapas de desenvolvimento do projeto, iniciado em 2020. A atriz era cotada para viver Maria Cecília, personagem de “Bonitinha, mas Ordinária”, uma das obras que servem de base para a trama.
“Paraíso Perdido” será escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, terá direção de Joana Jabace e deve começar a ser gravada em setembro. A produção terá 40 capítulos e será ambientada no Rio de Janeiro contemporâneo.

A novela vai reunir elementos de quatro textos de Nelson Rodrigues: “Bonitinha, mas Ordinária”, “A Mulher sem Pecado”, “Toda Nudez Será Castigada” e “Os Sete Gatinhos”. Ou seja: família, desejo, aparência, culpa e aquela confusão moral que Nelson Rodrigues entregava como quem servia café forte sem açúcar.

Na adaptação, Maria Cecília seria uma jovem de imagem conservadora, mas com comportamento bem diferente do que aparenta. A personagem se envolve com o cunhado, Peixoto, papel escalado para Eduardo Sterblitch. Alexandre Nero viverá Werneck, pai da jovem.
Marina deixou de ter contrato fixo com a Globo em 2024, depois de interpretar a vilã de “Fuzuê”, exibida em 2023. Desde então, passou a buscar novos caminhos profissionais e recusou a renovação de vínculo com a emissora.
Nos últimos meses, a atriz se dedicou a trabalhos no streaming. Um dos principais é a série “Tremembé”, em que interpreta Suzane von Richthofen, condenada por matar os pais em 2002.
Eu olhei para as meninas, já calculando a distância até o café, e pensei que Nelson Rodrigues ficaria encantado com a situação: uma protagonista que quase entra, uma agenda que não deixa, cunhado escalado, pai poderoso e bastidor fervendo antes da primeira claquete. A caminhada seguiu, mas com outro combustível. Porque depois de uma dessas, minha filha, só pão na chapa e café de padoca para organizar o espírito.