Estava sentada na cadeira, gente, esperando o creme agir, quando a Fernanda, minha cabeleireira aqui no Leblon, virou e perguntou se eu tinha visto a novidade da Marcopolo. Eu fui logo com aquela cara de quem sabe tudo: “motorhome é coisa de gringo, Fernanda.” Ela sorriu daquele jeito de quem guarda segredo e me mostrou no celular. Aí eu fiquei quieta, porque a Marcopolo Motorhome, divisão da Marcopolo S.A. lá de Caxias do Sul, entregou no dia 23 de maio a primeira unidade do NOMADE para um empresário de Santa Catarina, numa cerimônia na própria fábrica. O conceito foi apresentado no final de 2024 e desde então não parou mais.
O que me derrubou foi saber que esse NOMADE não é van adaptada, não é chassi de caminhão com carroceria grudada atrás. É um motorhome integral compacto 4×4, projetado desde a origem como uma peça só, onde a cabine do motorista e a parte habitável fazem parte da mesma estrutura. Motor Cummins de 175 cavalos, câmbio automático Allison, tração 4×4 com reduzida, rodas de 17,5 polegadas. Eu perguntei para a Fernanda se ela estava me contando sobre um carro ou sobre um apartamento em movimento, porque a lista não acabava.

Por dentro, o bicho tem sala com dinete que vira cama, teto panorâmico, ar-condicionado 24V com inverter, slide out que abre mais 16 metros quadrados de espaço quando o veículo para, quarto completo em marcenaria sob medida, banheiro com ducha, cozinha com geladeira de 216 litros, fogão a gás, micro-ondas e forno. Câmeras 360° com DVR no lugar dos retrovisores, internet satelital com 4G e 5G, placas solares flexíveis que geram até 800W e bateria de lítio. Eu olhei para a Fernanda e falei: isso aqui é melhor que meu apartamento em Cosme Velho.
Alexandre Leite Cruz, diretor executivo da Marcopolo Motorhome, disse que ao longo de 2026 outras unidades serão entregues, ampliando gradualmente a presença do NOMADE nas estradas. A produção fica no complexo da Marcopolo em Ana Rech, Caxias do Sul, e o objetivo é atender um público que quer natureza, aventura e conforto sem abrir mão de nada. A Fernanda terminou o cabelo, eu fiquei olhando para o celular, e saí do salão completamente convertida: motorhome brasileiro, gente. O gringo que se cuide.
