Cheguei do almoço ainda digerindo o couvert quando bateu na minha caixa de entrada uma notícia que me fez largar o cafezinho: a Marca Amazônia conquistou três Leões no Cannes Lions, que é basicamente o Oscar da publicidade e da construção de marcas no planeta. E não foi troféu de participação, não, minhas amadas. Foi reconhecimento nas categorias Design, Digital Craft e Industry Craft, colocando a floresta brasileira no mesmo palco glamouroso das maiores grifes globais.
A protagonista dessa novela é uma marca construída a muitas mãos, costurada pelos nove estados da Amazônia Legal através do Fórum de Turismo do Consórcio Amazônia Legal. A produção contou com o elenco de apoio da Embratur, via programa Rotas Amazônicas Integradas, e da consultoria FutureBrand, além de artistas e talentos amazônidas que transformaram cultura e biodiversidade numa identidade visual de causar inveja em diretor de arte da Faria Lima. O resultado é aquela bandeira verde com a palavra Amazônia em letras coloridíssimas que desfilou na escadaria vermelha como quem nasceu para o tapete.
E o discurso dos mandachuvas veio afiado de tão estratégico. O Bruno Reis, presidente da Embratur, soltou o número que faz o turismólogo babar: mais de 70% dos viajantes internacionais hoje dizem que procuram experiências ligadas à natureza e à sustentabilidade. Traduzindo do economês para o nosso fofoquês, a floresta virou produto de altíssima demanda, e quem chegou primeiro com uma marca bonita na prateleira global sai na frente da concorrência.
O Arnaldo de Andrade Bastos, o CDO e sócio da FutureBrand, foi ainda mais direto na intenção comercial, e eu respeito a sinceridade. Segundo ele, levar a marca para o palco de Cannes foi colocar a Amazônia diante dos principais líderes de marketing do mundo, gerando interesse que vira valor e valor que volta para a região. Já o Gilvan Pereira, presidente das Rotas Amazônicas Integradas, fez questão de lembrar que esse troféu confirma a força de um trabalho construído coletivamente, dando visibilidade internacional aos territórios.
Agora deixem eu soltar o veredito com a taça de espumante na mão: ver a Amazônia trocar o papel de coadjuvante de tragédia ambiental pelo de protagonista premiada em Cannes é uma reviravolta de capítulo que eu aplaudo de camarote. Marca forte é ativo de bilhão, e a floresta acabou de descobrir que pode vender a própria história em vez de assistir os outros venderem por ela. Saí dessa leitura querendo um pareô estampado com aquela bandeira e torcendo para que o valor prometido chegue mesmo na ponta, não só na escadaria de Cannes.