Eu tava na academia do Leblon, descansando entre uma série e outra com o copão de água na mão, quando me ligaram pra contar que a tal da MAPA ia fazer a última parada justamente em Brasília. Larguei o peso na hora, porque essa é daquelas que mexe com o coração de quem gosta de cultura de verdade. A mostra fecha o circuito pelo Norte e leva pro Centro-Oeste uma galeria especial, com o acervo todo ganhando roupagem nova pra estreia na capital.
Pra quem tá chegando agora na conversa, o MAPA pegou os 892 quilômetros de histórias, estações e gente da Estrada de Ferro Carajás, que completou 40 anos, e transformou tudo em videoarte. A graça é que essa linguagem é livre e democrática, feita muita vez com um celular na mão e uma boa ideia na cabeça, sob a curadoria de João Pacca. Foram dez artistas selecionados do eixo Maranhão e Pará assinando dez curtas, gente como Inke, Silvana Mendes, Dinho Araújo, Ramusyo Brasil e Acaique, que botaram a memória ferroviária pra dançar nas paredes.

E olha que sucesso, viu. Nas etapas anteriores, o festival lotou praças em São Luís e no Pará com festa aberta e gratuita, projetou mais de quatro mil metros quadrados de arte em prédios históricos e ainda chamou Bumba Meu Boi de Maracanã, carimbó e DJ pra animar a noite. Por trás do brilho, o projeto movimentou a economia criativa local com 40 empresas contratadas e mais de 230 profissionais envolvidos. A artista visual Inke, de São Luís, resumiu a emoção ao dizer que foi a “primeira vez que eu realmente me sinto artista”.

Pois é, brasiliense não tem desculpa pra ficar em casa nesse julho, que a entrada é franca e o programa é dos bons. A realização é da OPACCA Produção de Imagem, com parceria da Vale via Recursos para Preservação da Memória Ferroviária e iniciativa da ANTT, ou seja, coisa séria e bem produzida. Eu, se pudesse, já estava com o pé na rodoviária rumo à Casa da Cultura da América Latina, porque memória afetiva projetada em parede grande é das experiências mais lindas que existem.