Eu já estava de tênis no pé, saindo de casa rumo à academia no Leblon, quando o celular tocou com aquela energia que só babado bom tem. Era uma amiga querida, dessas que sabem das coisas antes de a assessoria respirar, gritando do outro lado que a Manu Buffara tinha feito as malas e ido parar em Portugal. Larguei a aula de hoje pra trás na hora, porque chef brasileira reinando na Europa é assunto que merece toda a minha atenção.
E não é qualquer cantinho não, meus amores. A nossa curitibana assumiu oficialmente a cozinha do Elemento Atlântico, restaurante fincado na exclusivíssima Quinta da Comporta, ali pertinho de Setúbal, a uma hora e meia de Lisboa. O convite veio direto do Xavier Padovani, cofundador do Experimental Group, que faz questão de dizer que pensou nela de cara pro projeto. Tradução da fofoqueira: europeu chique que quer cozinha com alma vai bater na porta de brasileiro, sempre.

Pra quem chegou agora no grupo, a Manu não é estreante na fila do bacalhau premiado. Ela comanda o restaurante Manu, em Curitiba, foi eleita Melhor Chef Mulher da América Latina lá em 2022 e ainda faturou o selo três facas no The Best Chef Awards de 2024. Botou no currículo também o prêmio de sustentabilidade da Flor de Caña, porque a moça vive falando de produtor local e biodiversidade desde muito antes de isso virar moda. Currículo desse tamanho não cabe na bagagem de mão.
O cenário, gente, é de cair o queixo e o batom. O tal Elemento Atlântico foi projetado pelo Philippe Starck como um chalé de madeira plantado no meio das dunas, com vista pro Atlântico que ninguém merece de tão linda. O cardápio estreia no verão europeu apostando em arroz cultivado na própria Comporta, figo, amêndoa e fruto do mar pescado ali na frente. Tem releitura de bacalhau com repolho, arroz cremoso com castanha de caju e camarão carabineiro, e ostra com maracujá e óleo de coco pra deixar o português de sotaque embolado.

Confesso que fiquei aqui na minha casa morrendo de orgulho e de uma pontinha de inveja saudável da vista que essa mulher vai ter todo santo dia. A Manu pegou a brasilidade dela, enfiou na mala junto com a mandioca afetiva e foi provar pros europeus que tempero nosso conversa com qualquer terroir do planeta. Se a Comporta ainda não sabia o que era saudade de Brasil, vai aprender com sotaque de Curitiba e cheiro de dendê.