As imagens compartilhadas por ela, mostrando deformidades e a necessidade de uma cirurgia complexa para retirada do material, chamaram a atenção de milhões de pessoas e reacenderam um alerta que especialistas vêm fazendo há décadas.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, muitas pessoas convivem atualmente com produtos permanentes no organismo sem sequer imaginar que complicações podem surgir anos ou até décadas depois da aplicação.

O problema pode aparecer muito tempo depois
Os polímeros bioinjetáveis, entre eles o PMMA (polimetilmetacrilato), foram amplamente utilizados em procedimentos estéticos para aumento de glúteos, correção corporal e preenchimentos em diferentes regiões do corpo.
O que muitas pessoas não sabem é que, diferentemente de materiais absorvíveis, o PMMA permanece no organismo por tempo indeterminado.
“Uma das maiores dificuldades é justamente essa falsa sensação de segurança. Muitas vezes o paciente realiza o procedimento, passa anos sem qualquer alteração e acredita que está tudo bem. Porém, em alguns casos, o organismo pode reagir muitos anos depois”, explica o Dr. Josué Montedonio.
Uma bomba-relógio silenciosa?
Embora nem todos os pacientes desenvolvam complicações, os especialistas alertam que os riscos existem e podem ser imprevisíveis.
Entre os problemas mais frequentemente observados estão:
Inflamação crônica;
Endurecimento dos tecidos;
Deformidades estéticas;
Dor persistente;
Infecções;
Migração do produto para outras regiões;
Necrose;
Dificuldade extrema de remoção.
“O grande desafio é que não existe uma forma precisa de prever quem terá complicações e quem permanecerá assintomático. Cada organismo reage de maneira diferente”, destaca o cirurgião.

Retirar o produto nem sempre é simples
Quando surgem complicações, muitos pacientes acreditam que basta retirar o material. Na prática, a situação costuma ser muito mais complexa.
Isso porque o produto pode se espalhar entre músculos, gordura e tecidos profundos, tornando impossível sua remoção completa em muitos casos.
“Existem situações em que conseguimos retirar parte significativa do material, mas raramente falamos em remoção total. O tratamento costuma exigir planejamento cuidadoso, múltiplas abordagens e expectativas realistas”, explica o especialista.
O risco aumenta quando o procedimento é realizado sem estrutura adequada
Outro ponto de preocupação envolve a forma como muitos desses procedimentos são realizados.
Segundo o Dr. Josué Montedonio, ainda existem aplicações feitas em locais sem estrutura hospitalar adequada e por profissionais sem treinamento para lidar com eventuais complicações.
“Quando ocorre uma intercorrência grave, o paciente precisa de acompanhamento especializado. Segurança deve sempre vir antes da promessa de um resultado rápido ou de baixo custo.”
Existem alternativas mais seguras?
Com os avanços da cirurgia plástica moderna, alternativas como a lipoenxertia — técnica que utiliza gordura do próprio paciente — passaram a ganhar espaço por oferecerem maior biocompatibilidade quando corretamente indicadas.
Embora nenhum procedimento seja totalmente isento de riscos, especialistas consideram fundamental priorizar métodos respaldados por evidências científicas e conduzidos por profissionais habilitados.
Segurança antes da pressa
Para o Dr. Josué Montedonio, o caso de Maira Cardi serve como um alerta importante para quem pensa em realizar procedimentos estéticos permanentes.
“Nem todo paciente que possui PMMA terá complicações. Mas o risco existe, pode surgir muitos anos depois e, quando acontece, o tratamento costuma ser longo, complexo e emocionalmente desgastante. Por isso, a decisão deve ser tomada com muita responsabilidade e informação.”
Dr. Josué Montedonio conclui:
“Seu corpo não é lugar para apostas. Na cirurgia plástica séria, segurança sempre vem antes da pressa.”