Nem sempre quem protagoniza uma história se reconhece completamente nela depois que ela chega ao público. Foi exatamente essa reflexão que Luísa Sonza compartilhou durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, ao comentar o documentário Se Eu Fosse Luísa Sonza, lançado pela Netflix em 2023.
A cantora afirmou que, olhando para o projeto hoje, acredita que a produção exagerou na forma como retratou seus momentos de vulnerabilidade emocional.

Durante a entrevista, a jornalista Fabiane Pereira utilizou a palavra “sensacionalismo” para descrever alguns aspectos do documentário. Luísa Sonza concordou com a avaliação e revelou que chegou a discutir diversas vezes com a equipe responsável pela obra para tentar retirar determinadas cenas da versão final.
Segundo a artista, um dos elementos que mais a incomodaram foi a construção dramática realizada na edição.
“Eu estava feliz, me divertindo, e colocavam uma música tensa por cima. Ficava parecendo uma situação completamente diferente do que realmente era”, relatou.
Produção acompanhou bastidores de “Escândalo Íntimo”
Produzido pela Conspiração Filmes, o documentário foi dividido em três episódios e acompanhou os bastidores da criação do álbum Escândalo Íntimo, além de abordar momentos marcantes da vida pessoal e profissional da cantora.
A produção trouxe relatos sobre o relacionamento e o divórcio com Whindersson Nunes, a repercussão pública envolvendo Chico Moedas e os impactos das críticas e ataques recebidos nas redes sociais ao longo dos últimos anos.
Segundo Luísa Sonza, parte do material já estava praticamente concluída quando a polêmica envolvendo Chico Moedas ganhou repercussão nacional. Isso obrigou a equipe a realizar alterações de última hora para incluir o episódio na narrativa final.
A cantora também explicou que assinou a aprovação do projeto cerca de um ano antes do lançamento e acredita que sua percepção sobre a própria exposição mudou significativamente desde então.
“Eu era uma pessoa completamente diferente naquela época”, afirmou.
Reflexão sobre exposição e vulnerabilidade
Ao longo da conversa, Luísa Sonza reconheceu a contradição existente entre a crítica atual e a forma como construiu sua carreira, marcada pela proximidade com o público e pela exposição constante da vida pessoal nas redes sociais.
Ainda assim, ela afirmou que hoje enxerga com mais clareza os limites entre compartilhar experiências e transformar sofrimento em entretenimento.
Durante o programa, a bailarina Heloisa Gouvêa também comentou sobre o interesse do público por histórias de dor e superação, observando que muitas vezes a audiência demonstra mais empatia quando encontra sofrimento explícito.
A cantora concordou com a análise e destacou que existe uma tendência de valorização excessiva das narrativas associadas ao sofrimento.

Netflix e produtora não comentaram
Até o momento, nem a Netflix nem a Conspiração Filmes se manifestaram publicamente sobre as declarações feitas por Luísa Sonza durante o programa.
Lançado em 2023, Se Eu Fosse Luísa Sonza continua entre os trabalhos mais comentados da trajetória da artista, justamente por expor momentos delicados de sua vida pessoal em paralelo à construção de uma das fases mais importantes de sua carreira musical.
Agora, dois anos após o lançamento, a cantora revisita a própria história sob uma nova perspectiva e levanta uma discussão cada vez mais presente na indústria do entretenimento: até que ponto a vulnerabilidade pode ser transformada em conteúdo sem perder sua autenticidade.