Minha gente, eu passei a noite em Cascais e acordei nesta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, com uma notícia que quase me fez derrubar a bica. Estava pensando em dar uma voltinha pela Baía de Cascais quando descobri que Luan Santana precisou explicar ao país que a letra L também existe fora do Partido dos Trabalhadores. Eu quase caí para trás! O Brasil conseguiu transformar a inicial do nome de um cantor numa questão eleitoral. É muita falta de ocupação para uma segunda-feira, minhas filhas!
A confusão começou no sábado (10), durante o show do sertanejo na Arena Mané Garrincha, em Brasília. Luan levantou a mão e fez um L com os dedos. Pronto. Foi o suficiente para surgir a interpretação de que ele estaria declarando apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só esqueceram um pequeno detalhe: o rapaz se chama Luan. Com L. Desde que nasceu, inclusive. Queriam que ele fizesse o quê? Um B de Bolsonaro para equilibrar a democracia?
Segundo relatos publicados pelo Notícias da TV, o cantor repetiu o gesto em dois momentos da apresentação. Em um deles, teria desejado paz ao Brasil nos próximos quatro anos e afirmado que amar nunca foi pecado. Bastou juntar o discurso à mão levantada para nascer uma teoria política. Gente, daqui a pouco vão exigir certidão de filiação partidária até de quem estiver aprendendo o alfabeto.
No domingo (11), a assessoria de Luan resolveu entrar em campo. Em comunicado divulgado nos Stories do Instagram, explicou que o cantor não costuma se manifestar politicamente e que o gesto acompanha suas apresentações desde o início da carreira. A equipe ainda reuniu imagens antigas do sertanejo fazendo o mesmo sinal. Sim, minhas amigas, foi necessário abrir o arquivo histórico para provar que o L de Luan pertence ao próprio Luan. A assessoria virou praticamente uma banca examinadora de alfabetização.

E olha que a história fica ainda mais curiosa. Luan está celebrando 19 anos de carreira com a turnê Registro Histórico. Depois de quase duas décadas fazendo o mesmo gesto, a letra ganhou interpretação eleitoral justamente quando Lula disputa a Presidência contra Flávio Bolsonaro no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O artista não declarou apoio a nenhum dos dois, segundo sua equipe. Mas a imaginação política brasileira já tinha feito campanha, produzido santinho e organizado até comício.
Agora, minhas amigas, convenhamos: chegamos a um estágio em que um cantor precisa de assessoria de imprensa para explicar o próprio nome. O sujeito canta, dança, levanta a mão e, quando percebe, está no meio de uma discussão presidencial. Daqui a pouco vão pedir ao Lulu Santos que explique os dois L do nome artístico. E nem quero imaginar o interrogatório que fariam com a dupla Leandro & Leonardo.
Eu continuo aqui em Cascais, aproveitando este feriado brasileiro do outro lado do Atlântico, e pensando que ainda bem que meu nome começa com K. Porque, se eu levantar dois dedos para pedir duas ginjinhas, é capaz de alguém querer saber qual partido está financiando meu pequeno-almoço.
E o Luan? Continua sendo Luan Santana. Com L maiúsculo, 19 anos de carreira e uma assessoria que agora também precisa dar aula de português.
No Brasil, minha filha, até o alfabeto entrou na campanha eleitoral. E, pelo visto, sem direito a voto.