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Kátia Flávia
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Lito Sousa recebe adeus de fãs com 14-Bis e bandeira do Palmeiras em SP

Criador do Aviões e Músicas foi velado nesta sexta (2/10) em museu de Santana, em São Paulo. Ele morreu aos 59 anos, meses após o diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob.

Kátia Flávia

02/10/2026 12h00

Despedida de Lito Sousa reuniu fãs no Museu Aeroespacial Paulista, em São Paulo.

Despedida de Lito Sousa reuniu fãs no Museu Aeroespacial Paulista, em São Paulo.

Eu estava, em Sintra, esperando meu travesseiro de amêndoa, quando o telefone começou a tremer no bolso e não parou mais. Eram as amigas do Cosme Velho de um lado e o pessoal de Santana e da Casa Verde do outro, todo mundo mandando a mesma coisa: o velório do Lito. Larguei a fila. Tem notícia que pede silêncio antes de qualquer frase.

Lito Sousa morreu nesta quinta, dia 1º, aos 59 anos. O corpo foi velado nesta sexta no Museu Aeroespacial Paulista, na avenida Braz Leme, em Santana, zona norte de São Paulo, com o salão aberto ao público às 9h. Dezenas de fãs e seguidores passaram por lá. Ao lado do caixão, uma coroa de flores trazia a faixa “Foi ótimo voar com você, papai”. A bandeira do Palmeiras, o time do coração, e uma réplica do 14-Bis completavam a despedida. Ele foi do avião ao futebol sem pedir licença, como sempre falou.

A doença andou rápido. Cerca de quatro meses atrás, um exame de rotina mostrou alteração no PSA e, depois de ressonância e biópsia, veio o diagnóstico de câncer de próstata, de risco classificado como intermediário para baixo. Lito escolheu a cirurgia de retirada total da próstata. Enquanto organizava o tratamento, começou a perder o controle do braço e da mão esquerdos digitando roteiros para o canal, e a coisa evoluiu para dormência e falta de coordenação. Numa viagem aos Estados Unidos, o problema motor e a postura pioraram. De volta ao Brasil, procurou o Hospital Albert Einstein, fez uma série de exames e recebeu o diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob, doença rara, fatal e sem cura, causada pelo acúmulo de proteínas anormais no cérebro.

Agora, o porquê de tanta gente chorar esse homem. Foram 36 anos de aviação, passando por Varig, Transbrasil e United Airlines, sendo 27 deles com a mão na graxa como mecânico de aeronaves. De 2015 a 2021, ele dividiu o hangar com o canal. Em 2021 largou a carreira quando percebeu que tinha mais seguidores que a página da própria companhia em que trabalhava. Ao Estadão, contou em 2025 que o começo foi duro, porque trocou um salário muito bom por custo fixo e funcionário para pagar. Pouco depois da saída veio o acidente com o avião de Marília Mendonça, e foi ali que ele passou a falar abertamente e virou a referência que o Brasil procurava. O Aviões e Músicas chegou a 3,6 milhões de seguidores no YouTube.

E ele não ficou só no vídeo. Criou o Lito Group, que nasceu com um CNPJ e chegou a quatro: cursos online e semipresenciais para mecânicos, pilotos e comissários de bordo, pós em Engenharia Aeronáutica, produção audiovisual, palestras e treinamento corporativo, além de inspeção de peças de avião. Montou até um curso para quem tem medo de voar. Ganhou dinheiro ensinando exatamente o que sabia, coisa rara num meio cheio de especialista de ocasião.

Por isso o telefone das minhas amigas não para. Lito era o cara que você chamava na turbulência, no acidente que ninguém entendia, na dúvida boba antes do embarque, e ele respondia com paciência de quem passou a vida debaixo da asa. Daqui de Sintra, onde avião é só risco branco no céu, fica a faixa da coroa na cabeça. Foi ótimo voar com você, Lito.

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