A coluna estava de roupa de malhar, bolsa na mão, Duka na porta esperando, pronta para o Leblon, quando o telefone tocou. Era uma amiga de Porto com voz de quem não dormiu, falando num tom que a Kátia só ouve quando acontece coisa grande de verdade: “você não vai acreditar no que a gente viu aqui.” A bolsa foi pro chão, a academia esperou, e a coluna ficou ali, no corredor de Cosme Velho, apurando em tempo real.
O que o segundo dia do Rock in Rio Lisboa entregou foi o seguinte: cem mil pessoas no Parque Papa Francisco, em 21 de junho, assistindo a um festival que se comportou mais como evento histórico do que como show de fim de semana. O Linkin Park fechou o Palco Mundo com uma apresentação que varreu o campo, cantando Numb e In The End para uma multidão que sabia cada sílaba, com transmissão ao vivo pelo YouTube levando aquilo para o mundo inteiro. Lisboa virou epicentro, e o mundo ficou parado olhando.

O babado não parou no Linkin Park. O Sepultura, 40 anos de carreira e turnê de despedida batizada de Celebrating Life Through Death, fez no Music Valley o último show da banda na Cidade do Rock de Lisboa, num set carregado de nostalgia e de toda aquela potência que só o metal brasileiro sabe construir. Quem estava lá jurou que as lágrimas na plateia eram de orgulho, não de tristeza. A banda ainda toca no Rock in Rio Brasil no Palco Mundo em 5 de setembro, no que já se promete como um dos shows mais emocionais da história do festival. Esse ingresso, convém saber, está esgotado.

Nas redes, foi o caos produtivo de sempre. Vídeos do mosh pit do Linkin Park explodiram no X e no Instagram durante a madrugada, fãs do Brasil postando a transmissão do YouTube com textão de quem viu a própria vida mudar pela tela do celular, grupos de WhatsApp em pânico coletivo, páginas de fofoca de rock virando de cabeça para baixo. The Pretty Reckless, com Taylor Momsen, e Cypress Hill também renderam clipes circulando até agora, e quem foi ao festival disse que a energia estava estratosférica do começo ao fim, sem intervalo.