Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Jon Vlogs na Justiça: ex-funcionário diz que demissão virou humilhação pública e cobra R$ 380 mil

Influenciador e a mãe foram citados em ação movida por um servente de pedreiro, que afirma ter sido acusado sem provas de roubo e exposto nas redes sociais após ser dispensado por telefone.

Kátia Flávia

30/06/2026 13h00

Jon Vlogs é alvo de processo movido por ex-funcionário no Rio de Janeiro

Jon Vlogs é alvo de processo movido por ex-funcionário no Rio de Janeiro

Jon Vlogs virou alvo de uma ação na Justiça movida por um ex-funcionário que afirma ter sido demitido de forma humilhante e exposto na internet. O processo corre na 2ª Vara Cível de Macaé, no Rio de Janeiro, e pede R$ 380 mil em indenização por danos morais, materiais, eventual proveito econômico e lucros cessantes.

Eu já tinha chegado ao próximo compromisso da manhã e estava no banheiro tentando trocar a legging por uma roupa minimamente civilizada, equilibrando nécessaire, óculos escuros e o resto da minha paciência em cima da pia, quando li que demissão de funcionário teria virado conteúdo na internet. Minha filha, parei com uma perna dentro da calça e outra fora, porque quando patrão transforma constrangimento alheio em postagem, o like vem com cheiro de processo.

 Servente de pedreiro afirma ter sido demitido de forma humilhante e exposto na web
Servente de pedreiro afirma ter sido demitido de forma humilhante e exposto na web

Segundo informações do colunista Ancelmo Gois, de O Globo, o autor da ação é Jorge Cândido da Silva, que trabalhou em uma propriedade rural de Danielle Kovarik, mãe de Jon Vlogs, também citada no processo. O nome de batismo do influenciador é Luan Santos Souza.

Jorge afirma que foi demitido por telefone e que o momento teria sido compartilhado em um perfil ligado a Jon. Ele também alega ter sido acusado sem provas de roubo e furto, o que, segundo a defesa, atingiu sua honra, imagem, dignidade e reputação profissional.

O caso ainda cita outro influenciador, Fontinnele. De acordo com a ação, uma situação que deveria permanecer privada teria sido explorada nas redes sociais, gerando visualizações, comentários, compartilhamentos e possível monetização.

Enquanto eu terminava de me arrumar às pressas e tentava não manchar a blusa com filtro solar, só conseguia pensar: tem gente que confunde “bastidor” com licença para expor trabalhador. A internet pode até amar barraco, mas a Justiça costuma gostar de recibo, prova e limite.

Os advogados de Jorge pedem R$ 300 mil por danos morais e mais R$ 80 mil relacionados a danos materiais, eventual proveito econômico e lucros cessantes. A defesa também solicita que as publicações sobre a demissão sejam removidas imediatamente e que conteúdos semelhantes não sejam feitos, sob risco de multa diária.

A acusação é pesada porque mistura relação de trabalho, exposição pública e suspeita lançada sem comprovação. Não é só “fofoca de influenciador”. É a vida profissional de um homem comum sendo colocada na roda para consumo de seguidores.

 Ação pede R$ 380 mil de indenização e remoção de postagens sobre a demissão
Ação pede R$ 380 mil de indenização e remoção de postagens sobre a demissão

O caso lembra uma tendência cada vez mais indigesta da internet: transformar funcionário, ex-funcionário, babá, motorista, empregada, servente e qualquer pessoa sem o mesmo tamanho de palco em personagem involuntário de enredo digital. Só que o público que ri no story nem sempre aparece na audiência quando a conta judicial chega.

Até aqui, o processo ainda está em andamento. Jon Vlogs e sua mãe foram citados na ação, e a Justiça deverá avaliar se houve exposição indevida, dano à imagem e eventual responsabilidade pelas publicações. Mas uma coisa já dá para dizer: demissão não é quadro de reality. E humilhação, quando vira conteúdo, pode acabar custando muito mais caro que engajamento.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado