Vinha no ferry boat de volta de Niterói, fone no ouvido, quando “Peão Todo Tatuado” começou a tocar pela terceira vez seguida. Não foi por acidente. Foi porque eu mesma coloquei no repeat. Jeninho, o cantor goiano que virou febre no TikTok e agora domina o Spotify Brasil com mais de 50 milhões de streams em apenas dois meses, entrou na minha vida pela academia e não saiu mais.
A música é uma parceria com Mariana Fagundes e integra o primeiro DVD do artista, “Abacaxi Pegou Preço, Ao Vivo em Goiânia”, lançado pela SoundOn. O projeto marca uma virada importante na carreira de um cantor que começou compondo para nomes como Naiara Azevedo e John Amplificado antes de decidir assumir o microfone e apostar na própria trajetória.
Filho do produtor Jenner Melo, que trabalhou com duplas como Simone & Simaria e Zé Neto & Cristiano, Jeninho cresceu nos bastidores da indústria musical. Apesar disso, seu sonho inicial era seguir carreira no futebol. A música, porém, acabou falando mais alto.
A grande virada pública aconteceu em Barretos, em 2025. Sem grandes estruturas ou investimentos milionários, o cantor chegou à tradicional festa carregando apenas uma barraca e muita disposição. Foi ali que “Maria Barretão” começou a ganhar espaço e fazer seu nome circular entre os principais eventos do universo sertanejo.
Agora, é a vez de “Peão Todo Tatuado” conquistar o país. Com um refrão fácil de decorar e uma coreografia que se espalhou rapidamente pelas redes sociais, a música já apareceu nos perfis de influenciadores e celebridades como Virginia Fonseca, Mileide Mihaile, Carlinhos Maia, Luan Pereira, Camila Loures, Mari Menezes e Jacques Vanier.
Uma fonte da indústria musical contou à coluna que o projeto desenvolvido pela SoundOn foi pensado justamente para impulsionar artistas que surgem primeiro nas redes sociais antes de conquistarem espaço nas rádios e plataformas tradicionais. Nesse cenário, Jeninho representa uma nova geração de artistas que unem composição, presença digital e conexão direta com o público.
O fenômeno também reforça a força do chamado agrofunk, gênero que mistura elementos do sertanejo, do funk e da música popular brasileira, criando uma linguagem própria que conversa diretamente com as novas gerações.
Quando saí do ferry e entrei no carro para voltar para casa, o chicote ainda estralava no fone. E foi impossível não pensar que Jeninho já ultrapassou a fase de promessa. Ele se tornou um daqueles fenômenos que fazem a gente lembrar exatamente onde estava quando ouviu pela primeira vez.