James Rodríguez virou alvo de críticas na Colômbia após ignorar Antonella Petro, filha de 17 anos do presidente Gustavo Petro, durante a despedida da seleção colombiana rumo à Copa do Mundo de 2026. A cena aconteceu no Aeroporto El Dorado, em Bogotá, no dia 4 de junho, durante cerimônia oficial com a delegação comandada por Néstor Lorenzo.
Eu tinha saído do MALBA ainda com a cabeça cheia de arte contemporânea e aquela sensação de que sexta-feira em Buenos Aires pode virar roteiro sem pedir licença. Em vez de voltar direto para o hotel, desviei para uma livraria bonita demais em Palermo, daquelas em que você entra para olhar uma revista e sai cogitando comprar um livro de arquitetura que nunca vai ler. Estava folheando um guia antigo da América do Sul quando a cena de James Rodríguez apareceu na tela. Bogotá, aeroporto, seleção colombiana, filha de presidente e um ídolo passando reto por uma menina de 17 anos. Fechei o livro na hora. Tem grosseria que atravessa fronteira sem precisar de passaporte.

Nos vídeos que viralizaram nas redes sociais, Antonella aparece acompanhando a passagem dos jogadores. Quando James se aproxima, ela sorri e tenta pedir uma foto. O camisa 10, porém, não para. Segue andando e cumprimentando outras pessoas no evento.
O detalhe que mais pegou foi a mudança no rosto da adolescente. O sorriso some quase imediatamente depois do vácuo. E é esse segundo, meu amor, que transformou a cena em assunto nacional. Porque ninguém precisava transformar uma cerimônia de despedida da seleção em aula prática de indiferença.
Antonella não é apenas filha do presidente Gustavo Petro. Ela tem ligação antiga com o futebol, torce para o Millonarios, participa de projetos esportivos e sonha em seguir carreira na área. Imagens antigas mostram que ela já havia encontrado James quando era criança, por volta dos seis anos, em uma cena de fã com direito a abraço, autógrafo e foto com o ídolo.
Foi justamente esse contraste que incendiou as redes. De um lado, a lembrança da menina pequena abraçada ao jogador. Do outro, a adolescente sendo ignorada em público pelo mesmo ídolo antes de a Colômbia embarcar para a Copa do Mundo de 2026.
A revolta também cresceu porque parte dos internautas interpretou o gesto como possível recado político, já que Antonella é filha de Petro. Mas, mesmo para quem não compra essa leitura, a cena ficou feia. Jogador pode ter posição política, antipatia por governo, pressa, mau humor, dor no pé ou preguiça de cerimônia. O que não pega bem é deixar uma adolescente sorrindo sozinha no meio do caminho.

O episódio ainda respingou na seleção colombiana como um todo. Nas redes, usuários também criticaram a postura de outros jogadores durante a cerimônia e disseram que o clima com Petro e Antonella parecia frio demais para um evento de despedida rumo ao maior torneio do futebol mundial.
Eu saí da livraria sem comprar o livro de arquitetura, o que já foi uma vitória financeira, e fiquei pensando que futebol vive muito de idolatria. Criança cresce colando pôster, repetindo comemoração, guardando foto antiga como se fosse relíquia. Quando o ídolo vira adulto demais para lembrar disso, a queda é sempre pública. James Rodríguez embarcou para a Copa do Mundo de 2026 como capitão. Mas, antes de chegar ao estádio, já perdeu bonito numa jogada simples: parar dois segundos e ser gentil.