Chiquinho Scarpa voltou a entregar uma daquelas declarações que parecem ter saído de um manual de excentricidade com brasão na capa. Aos 74 anos, o empresário afirmou que pretende gastar todo o próprio patrimônio em vida e descartou deixar herança para familiares ou para a namorada, Lili Riskalla.
Eu já tinha resolvido com o concierge que minhas malas ficariam guardadas até o transfer e estava tentando encontrar um canto minimamente digno no lobby para responder mensagens antes do voo, quando apareceu Chiquinho dizendo que vai gastar “tudinho”. Minha filha, eu fechei o aplicativo da companhia aérea na hora, porque rico anunciando que não vai deixar herança é praticamente uma novela das seis com champanhe, mordomo e parente fingindo desinteresse.

A declaração foi dada durante participação no programa Sensacional, apresentado por Daniela Albuquerque. Chiquinho disse que não se preocupa com divisão de fortuna justamente porque não pretende deixar nada para ninguém. “Herança, por exemplo, não fico preocupado porque vou gastar tudinho”, afirmou o conde.
Na sequência, ele explicou que considera uma vantagem não ter herdeiros. Segundo Chiquinho, isso evita aproximações por interesse e deixa mais claro quem realmente gosta dele. “Eu não tenho herdeiro e é a melhor coisa do mundo. Não tem ninguém te puxando saco. Se vão me ver, é porque gostam de mim, não por interesse em herança, nada disso. Todo mundo já sabe que herança não vai ter. Ponto”, declarou.
Eu confesso que existe uma sinceridade quase terapêutica nisso. Chiquinho não está prometendo mansão para sobrinho, apartamento para agregado nem joia para namorada. Ele avisou antes: o dinheiro é dele, a festa é dele e a conta final, se depender dele, fecha sem espólio para disputar.
Mas a entrevista não parou na fortuna. O empresário também revelou um hábito daqueles que só Chiquinho Scarpa poderia contar sem derrubar a pose: ele numera as cuecas para garantir que todas sejam usadas na mesma frequência.
“Eu numerei porque assim uso um dia a um, outro dia a dois, a três, e assim por diante. Quando a funcionária lava, ela tem que colocar na ordem, então não repito as cuecas e elas duram para sempre”, explicou.
Pronto. Aí eu quase pedi um café só para ter onde apoiar o espanto. O homem não quer deixar herança, mas quer preservar cueca como patrimônio histórico. É o tipo de organização que mistura economia doméstica, aristocracia tropical e um leve cheiro de planilha afetiva.

Chiquinho entregou exatamente aquilo que o público espera dele: luxo, frase absurda, lógica própria e uma convicção inabalável de que a vida deve ser vivida com extravagância, mas com as peças íntimas devidamente catalogadas.
E eu entendo? Não totalmente. Mas respeito a coerência. Quem decide gastar a fortuna inteira em vida não pode mesmo se dar ao luxo de perder uma cueca no rodízio.