Cheguei do meu café da manhã ainda achando que ia ser um dia daqueles e me deparei com Goiás levando o principal prêmio mundial de mobilidade urbana. Isso mesmo, minhas amadas: o UITP Awards 2026, que é basicamente o Oscar do transporte público, foi parar nas mãos goianas numa cerimônia chiquérrima em Bruxelas, na Bélgica, reunindo autoridades e operadores de mobilidade do mundo inteiro. E não foi por causa de marketing bonito, foi por obra feita.
A protagonista dessa novela é a Nova RMTC, a rede metropolitana de transporte coletivo conduzida pelo Governo de Goiás em parceria com a capital, os municípios e as concessionárias. O elenco se uniu para uma reestruturação das grandes, com renovação de frota, eletrificação do sistema, combustíveis limpos e modernização dos corredores. Detalhe que merece destaque de manchete: a região opera os maiores ônibus biarticulados elétricos em circulação regular do mundo, o que já dá um charme de superprodução à história.

E o roteiro tem números que fariam qualquer analista de Faria Lima levantar a sobrancelha. A tal da metronização, que é organizar os corredores como se fossem linhas de metrô, reduziu em até 31% o tempo das viagens em alguns trechos. Tem ainda a onda verde sincronizando os semáforos, sistemas inteligentes de monitoramento e a reconstrução dos terminais e estações do BRT Leste-Oeste. Para completar o pacote sustentável, o estado implantou seu primeiro gasoduto e uma usina de biometano, transformando lixo orgânico em combustível de ônibus, o que é reciclagem de luxo.
Os mandachuvas, claro, não perderam a deixa de subir no palco. O governador em exercício Daniel Vilela fez questão de lembrar que, quando Ronaldo Caiado assumiu o estado, muita gente jurava que transformar aquele transporte era missão impossível. Segundo ele, o que era problema sem solução virou referência de planejamento e sustentabilidade reconhecida lá fora, e o tal prêmio não é ponto de chegada, mas combustível para continuar investindo, no melhor estilo discurso de quem sabe que ano que vem tem urna.

Agora deixem eu soltar o veredito com o cafezinho na mão: ver ponto de ônibus reformado e frota elétrica virando troféu internacional é a prova de que gestão pública bem-executada também rende holofote. Política de mobilidade séria é ativo de bilhão disfarçado de obviedade, e Goiás acabou de descobrir que cuidar do busão da população dá mais ibope do que muita inauguração de fachada. Saí dessa leitura torcendo para que o conforto prometido chegue de fato em todo ponto de embarque, e não só na vitrine bonita de Bruxelas.