Domingo cedo, eu só queria atravessar o Leblon, sentar no Talho Capixaba, pedir café, pão na chapa e esquecer que o mundo digital existe por uns minutos. No meio da primeira mordida, quem desperta o celular é a própria Giovanna Lancellotti, com a voz daquele misto de cansaço e indignação que atriz usa quando já passou da fase “deixa pra lá”. A bomba do dia não veio de reality, veio do Google.
Giovanna entrou com processo na Justiça do Rio de Janeiro contra a plataforma, acusando o buscador de associar o nome artístico dela a sites de conteúdo adulto. Segundo a ação revelada pelo colunista Ancelmo Gois, de O Globo, ao pesquisar “Giovanna Lancellotti” o usuário é direcionado para páginas pornográficas que usam trechos de trabalhos da atriz de forma distorcida e descontextualizada. Não é banner aleatório, é material que pega cena séria, recorta, cola num contexto sexual e deixa parecer que ela faz parte do cardápio do site.
Na petição, a defesa pede duas coisas bem claras: que essa associação seja derrubada e que a atriz receba R$ 50 mil de indenização por danos morais. A tese é que a exposição indevida atinge a honra, a imagem profissional e ainda pode afetar contratos atuais e futuros, porque ninguém quer ver seu nome colado em pornô quando a entrega é novela das nove e cinema. Em bom juridiquês temperado com café carioca, a mensagem é simples: se o caminho até o conteúdo tóxico começa na busca oficial, o buscador entra na roda da responsabilidade.
Esse tipo de desconforto digital não é estreia na carreira da Giovanna. Em 2016, um partido político foi condenado a indenizá‑la em R$ 60 mil depois de usar imagem da atriz em campanha eleitoral sem autorização, tentando surfar na familiaridade do rosto dela para vender candidato. Agora, o palco mudou para o universo dos sites adultos, mas o enredo é parecido: tentam transformar fama em atalho para clique, e o tribunal vira o único camarim com luz fria o suficiente para enquadrar a palhaçada.
Nas redes, a história já circula em print de processo, link de portal e textão de fã revoltado, enquanto o tal site adulto ganha curiosidade de quem clica “só pra ver o absurdo”. Tem gente tratando como exagero, como se fosse tudo culpa de “robô do Google”, e gente lembrando que pornografia vive de pegar rosto famoso e colocar num pacote que ninguém autorizou. No meio desse barulho, Giovanna se posiciona com a arma que ainda assusta muito marmanjo de bermuda tecnológica: advogado, protocolo e pedido de indenização.
Da minha mesa no Talho, vendo o burburinho crescer no X e no Instagram, o veredito é direto: Giovanna está dizendo para a indústria do clique que atriz não é palavra-chave genérica para banner adulto, é CPF com carreira, contrato e limite. E se cada famosa que acordar de mau humor com o próprio nome preso em site pornô decidir tomar o mesmo caminho, vai ter buscador e portal picareta fazendo curso intensivo de respeito à imagem mais rápido que pão de queijo sai do forno.