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Kátia Flávia
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Gil do Vigor dá voadora na hipocrisia e defende crianças na Parada LGBTQIA+: “Marcha para Jesus pode”

Ex-BBB questionou a tentativa de barrar menores na Parada e disse que jovens precisam ser protegidos do bullying, dos abusos e da desigualdade

Kátia Flávia

02/06/2026 11h15

Gil do Vigor criticou a discussão sobre proibir menores na Parada LGBTQIA+

Gil do Vigor criticou a discussão sobre proibir menores na Parada LGBTQIA+

Gil do Vigor fez um desabafo forte no programa Papo de Segunda, do GNT, ao criticar a discussão sobre proibir a presença de crianças e adolescentes na Parada LGBTQIA+. O economista questionou por que eventos ligados à diversidade costumam ser tratados como ameaça, enquanto outras grandes aglomerações populares e religiosas não recebem o mesmo tipo de cobrança.

Eu ainda estava no café do Leblon, tentando terminar aquele café duplo que pedi para sobreviver ao furacão Romário, quando a manhã resolveu trocar a baixaria amorosa por uma voadora moral. O garçom trouxe um suco de melancia, uma senhora ao lado discutia pão sem glúten como se fosse reforma tributária, e meu celular acendeu com Gil do Vigor no Papo de Segunda. Abri o vídeo esperando um comentário espirituoso. Recebi foi um sermão necessário, desses que colocam a hipocrisia sentada na cadeira da frente e mandam ela explicar suas contradições.

Durante o programa, Gil falou sobre a proteção de crianças e adolescentes e defendeu que o debate público deveria estar concentrado em problemas que afetam diretamente a juventude, como bullying, abusos, pobreza, desigualdade, falta de educação, fome e ausência de respeito. Para ele, transformar a Parada LGBTQIA+ em ameaça é escolher um vilão conveniente enquanto questões urgentes seguem empurradas para debaixo do tapete.

O economista questionou a diferença de tratamento dada a eventos religiosos, festas populares e manifestações de massa.

“Na Marcha para Jesus todo mundo pode ir. No Carnaval pode. Todo Mundo no Rio pode. Qualquer evento que tenha aglomeração pode. Mas a Parada do Orgulho vai ser um grande problema. A gente tem que defender as crianças e os jovens, sim. Mas temos que defender do bullying. Temos que defender tantas notícias que saem quase mensalmente sobre jovens que são abusados dentro de instituições religiosas. Os jovens precisam de proteção, mas não é da Parada do Orgulho, não é da diversidade!”, declarou.

A fala foi direta no nervo. Gil não negou que crianças e adolescentes precisem de proteção. Pelo contrário: colocou a proteção no centro da conversa. O ponto dele é outro. O problema, segundo o ex-BBB, não está na existência de pessoas LGBTQIA+, na celebração da diversidade ou em jovens entenderem que o mundo é formado por famílias, corpos, histórias e identidades diferentes.

Gil do Vigor também afirmou que muitos jovens enfrentam situações difíceis dentro da própria casa e precisam de apoio para estudar, comer, aprender e serem respeitados.

“Nós temos que proteger os nossos jovens para que eles estudem, para que eles aprendam e entendam o que é respeito”, disse.

O economista ainda apontou que o debate cria um “vilão” para mobilizar parte da população, enquanto temas mais graves ficam em segundo plano. E aí, meu amor, a fala sai do campo da opinião e entra no território da pancada bem dada: é muito mais fácil posar de defensor da infância atacando a Parada do Orgulho do que encarar pobreza, violência, abuso, evasão escolar e abandono.

Nas redes sociais, como era de se esperar, a declaração dividiu opiniões. Houve quem criticasse a comparação feita por Gil entre a Parada LGBTQIA+ e eventos religiosos. “O cara quer comparar a Marcha para Jesus com isso? É louco”, escreveu uma pessoa. Outros elogiaram o posicionamento do economista. “Gil e Juliette são as duas únicas pessoas que saíram do BBB com algo interessante pra falar. Não consigo me lembrar de outros participantes com essa força”, comentou outro perfil.

O que Gil do Vigor fez foi devolver a pergunta para o lugar certo: quem, afinal, está realmente protegendo as crianças? Quem olha para o menino que sofre bullying na escola? Para a adolescente que não tem comida decente em casa? Para o jovem que vive violência dentro de instituições que deveriam acolher? Para a criança que cresce aprendendo que diferença é motivo de ódio?

Eu larguei a colher no pires e fiquei olhando para a tela com aquela sensação rara de que alguém tinha dito o óbvio em voz alta. A Parada LGBTQIA+ incomoda muita gente não porque ameaça criança, mas porque ameaça a fantasia de um mundo onde só um tipo de vida pode aparecer em público. Gil do Vigor foi certeiro: proteger jovem não é esconder diversidade. É ensinar respeito antes que a ignorância vire política, palanque e projeto de lei.

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