Marcos Mion levou para a Justiça uma treta antiga com Bento Ribeiro, e o que parecia só mais uma lavação de roupa suja de bastidor da MTV virou queixa-crime, pedido de retirada de vídeos e discussão sobre censura prévia. O estopim mais barulhento foi um corte publicado por Bento no YouTube com o título “Por que eu odeio o Marcos Mion”, que já passou de 100 mil visualizações.
Eu estava no quarto do The Standard Ibiza Town, com a sacola de palha largada ao lado do banco de madeira, a saída de praia branca pendurada na cadeira e o celular virado para cima esperando qualquer resposta de Ana Maria Braga, quando essa pauta caiu. Minha filha, nada como um sábado em Ibiza para lembrar que bastidor de televisão brasileira nunca prescreve, só espera Wi-Fi e advogado.
Segundo as informações publicadas, Mion apresentou uma queixa-crime contra Bento Ribeiro por calúnia e difamação. Na ação, o apresentador da Globo afirma que o humorista vem contando mentiras de forma sistemática sobre o período em que os dois trabalharam na MTV Brasil e que as declarações ultrapassaram o limite da liberdade de expressão ao atingir sua reputação.
A defesa de Mion pediu que os vídeos fossem retirados do ar e que Bento fosse proibido de citá-lo em entrevistas ou novos conteúdos. A Justiça, porém, negou a liminar que teria efeito imediato, sob o entendimento de que a medida poderia configurar censura prévia. O mérito da ação ainda não foi julgado.

Tradução para quem não acordou em clima de audiência: Mion entrou no campo penal dizendo que foi atacado na honra, mas a Justiça, por enquanto, não aceitou passar a tesoura nos vídeos antes de analisar tudo com calma. O processo segue, e uma audiência de conciliação deve ser marcada.
O caso ganhou força depois de falas de Bento no programa “Pânico”, da Jovem Pan, em maio. Ao comentar a convivência com Mion na MTV, o humorista disse que teria vivido uma perseguição nos bastidores. “Eu sinto que eu sofri uma espécie de perseguição que durou anos e eu não podia revidar”, afirmou.
Bento também usou uma comparação pop para descrever a postura que atribuía a Mion. “Eu acho que existe uma ‘Síndrome de Homelander’ rolando ali, mas eu não detesto ele”, disse, citando o personagem da série “The Boys”, conhecido justamente pela mistura de carisma público, ego inflado e comportamento assustador por trás da imagem heroica.

Eu adoro quando famoso invoca série para explicar trauma de trabalho, porque sempre fica parecendo terapia com streaming. Só que, no papel da Justiça, referência a Homelander deixa de ser piada de podcast e vira munição de processo. O meme entra sorrindo e sai anexado.
No vídeo e em outras manifestações, Bento afirmou que, ao chegar à MTV, se sentiu humilhado por piadas recorrentes sobre sua orientação sexual, em um período em que a sociedade discutia menos esse tipo de violência. Ele disse ainda que Mion teria feito piadas sobre o tema e que a emissora teria cortado um direito de resposta que ele chegou a gravar para o programa que apresentava.
Outro ponto citado por Bento é que Mion esperaria uma postura de reverência dele ao chegar à emissora. Segundo o humorista, ele conhecia o trabalho do apresentador, mas não o tinha como referência profissional nem acompanhava tanto a programação da MTV antes de ser contratado. Na leitura de Bento, essa falta de idolatria teria azedado a relação.
Agora, a briga deixa de ser só memória amarga de bastidor e passa a depender do Judiciário. Mion diz que sua honra foi atingida. Bento, até o momento das publicações, não havia se manifestado sobre a ação. Caberá à Justiça analisar se as falas configuram crime contra a honra ou se estão dentro do campo da crítica, do relato pessoal e da liberdade de expressão.
Eu olhei para a saída de praia secando na cadeira e pensei que a MTV acabou, mas o pós-crédito dela continua rendendo temporada. E com um detalhe cruel: quando dois nomes que viveram da televisão jovem dos anos 2000 se reencontram no processo, a nostalgia vem menos com clipe ruim e mais com petição, liminar e audiência de conciliação.