Uma publicação no site do Ministério Público de Mato Grosso causou revolta nas redes sociais ao começar com a frase “Morre Neymar Jr.”. O texto, no entanto, não tratava de uma morte real do jogador, mas de uma crônica ficcional ambientada no ano de 2082, em que Neymar teria morrido aos 90 anos.
Eu já tinha chegado à costureira em Niterói e tentava explicar uma barra de vestido enquanto o domingo seguia nublado lá fora, quando li “Morre Neymar Jr” vindo de um site do Ministério Público. Quase larguei a peça no chão. Porque, minha filha, em plena Copa, com o homem machucado, fora do jogo e o país inteiro sensível a qualquer notícia sobre o camisa 10, alguém achou uma boa ideia abrir texto institucional desse jeito. É pedir para o brasileiro ter um troço antes do almoço.

O artigo foi assinado pelo promotor de Justiça Jorge Paulo Damante Pereira e publicado no site do Ministério Público de Mato Grosso. A crônica imaginava um futuro em 20 de junho de 2082, durante uma Copa do Mundo realizada na Palestina e nas comemorações do centenário da Seleção Brasileira de 1982.
“Acaba de falecer o ex-jogador de futebol e empresário Neymar Jr. O ex-atleta foi encontrado morto hoje pela manhã, em sua residência, de causas naturais, aos 90 anos”, dizia o começo do texto ficcional.
O problema é que a abertura, sem contexto imediato, viralizou como se fosse uma notícia real. Nas redes, internautas criticaram o tom da publicação e o fato de o texto estar no site de um órgão público. “Me espanta ver um post desse vindo do Ministério Público do Estado de Mato Grosso”, comentou um usuário. “Característica atual do nosso judiciário, a falta de bom senso”, reagiu outro.

Neymar, vale lembrar, está vivo. O jogador segue se recuperando de lesão e ficou fora da partida do Brasil contra o Haiti pela Copa do Mundo. Justamente por isso, o susto pegou ainda mais forte: o camisa 10 já vinha sendo assunto por não entrar em campo, não viajar com a delegação e seguir em tratamento.
Após a repercussão negativa, o artigo saiu do ar. A publicação, que parecia tentar usar Neymar como recurso literário, acabou virando exemplo de como uma frase mal calibrada pode incendiar a internet em segundos.
E vamos combinar: crônica pode ser provocativa, literatura pode brincar com futuro, mas “morre Neymar Jr.” em site oficial, durante Copa do Mundo, é uma escolha com a delicadeza de um carrinho por trás na área. Se a ideia era reflexão, o resultado foi susto coletivo, print nervoso e brasileiro perguntando se o Ministério Público virou portal de fofoca futurista.