Antonia Fontenelle afirmou que pretende convencer Dona Sônia, mãe de Elisa Samudio, a disputar uma vaga na política nas próximas eleições municipais. A atriz e apresentadora esteve neste sábado (06) em um encontro com mães atípicas no Grajaú, no Rio de Janeiro, e disse que deseja apoiar a entrada de Dona Sônia na vida pública.
Eu já tinha desembarcado em Colonia del Sacramento com aquela cara de turista que tenta parecer sofisticada enquanto procura a saída certa. O vento do Rio da Prata batia de lado, meu cabelo tinha declarado independência e eu tentava entender se seguia a pé pelas ruas de pedra ou se alugava um daqueles carrinhos que fazem qualquer brasileira virar personagem de passeio escolar. Foi ali, ainda no terminal, que soube de um encontro no Grajaú, no Rio, reunindo Antonia Fontenelle, Dona Sônia, mãe de Elisa Samudio, e mães atípicas. Parei antes de sair. Porque Antonia, Dona Sônia, mães atípicas e política na mesma frase não é recado. É movimento.

Segundo Antonia, o encontro reuniu cerca de 60 mães para uma conversa sobre demandas de famílias atípicas, especialmente em torno de acolhimento, políticas públicas e escuta direta. A atriz contou que já vinha gravando episódios sobre o tema para seu canal e que tem buscado ouvir mães com diferentes realidades.
“Hoje eu fui no encontro porque eu estou ouvindo as mães atípicas”, disse Antonia. Ela explicou que parte das conversas tem sido voltada para entender “a demanda, o que pode ajudar, o que não pode”, dentro de um processo de aproximação com essas famílias.
No evento, Antonia se encontrou com Dona Sônia, mãe de Elisa Samudio, assassinada em 2010 em um caso que chocou o país. Desde então, Dona Sônia se tornou símbolo de dor, resistência e luta por justiça, além de criar o neto Bruninho, filho de Elisa.

Antonia disse que conversou longamente com ela e defendeu que mulheres com trajetórias marcadas por luta e sobrevivência ocupem espaços de decisão. “Estive com Dona Sônia, mãe da Elisa Samudio, e disse que vou convencer ela a entrar para a política. Mulheres precisam ocupar espaço”, afirmou.
A ideia, segundo Antonia, é apoiar Dona Sônia em uma eventual candidatura à vereança no Rio de Janeiro nas próximas eleições municipais. Para a apresentadora, o nome dela teria força justamente por carregar uma história que atravessa violência contra a mulher, maternidade, justiça e abandono institucional.
O encontro também teve relação com pautas de mães atípicas. Antonia citou a importância de ouvir essas mulheres de perto, especialmente aquelas que lidam todos os dias com falta de suporte público, dificuldade de acesso a terapias, atendimento especializado e proteção social.
No encontro, Antonia esteve no meio das participantes, em um espaço simples, decorado com bandeirinhas, crianças e mulheres reunidas em roda. Não tem palco luxuoso, não tem luz de estúdio, não tem maquiagem de campanha. Tem gente. E, às vezes, é exatamente daí que uma candidatura começa.
Saí do terminal de Colonia ainda olhando para a imagem. A cidade parecia calma demais para o tipo de notícia que tinha acabado de chegar do Rio. Dona Sônia já viveu o pior que uma mãe pode viver e continuou de pé. Se essa dor um dia virar voz política, que seja com estrutura, respeito e propósito. Porque o Brasil adora lembrar dessas mulheres quando precisa de comoção. Antonia está dizendo outra coisa: talvez esteja na hora de ouvi-las quando se fala de poder.