Julia Kudiess está fora da fase final da Liga das Nações de Vôlei feminino. A central da seleção brasileira sofreu uma lesão no Ligamento Cruzado Anterior do joelho esquerdo durante a derrota do Brasil para os Estados Unidos, por 3 sets a 0, em Osaka, no Japão.
Eu tinha acabado de escapar da cozinha e fui para a sala com o celular no viva-voz, tentando decidir se dobrava uma manta ou fingia que aquela bagunça fazia parte da decoração afetiva do domingo. Aí veio a notícia da Julia Kudiess. Pronto. O coração da torcedora aqui caiu mais rápido que bola mal recepcionada. Porque lesão de joelho em atleta já dói na gente de longe, mas quando acontece de novo com uma menina que já sofreu tanto, vira covardia do destino.
O lance aconteceu no início do segundo set. Julia tentou bloquear Jordan Thompson pela saída de rede e, na aterrissagem, pisou no pé de Ana Cristina, que também participava do bloqueio. A camisa 8 caiu no chão e imediatamente preocupou companheiras, comissão técnica e José Roberto Guimarães, que entrou em quadra para acompanhá-la.
Depois da primeira avaliação, a central deixou a quadra com apoio da equipe médica e foi substituída por Lorena. Ela não voltou mais ao jogo. Exames de imagem feitos após a partida confirmaram a lesão no LCA do joelho esquerdo, segundo comunicado da Confederação Brasileira de Vôlei.

A própria Julia desabafou nas redes sociais. “Difícil acreditar que isso aconteceu de novo. Justo no momento em que eu estava vivendo uma das fases mais felizes da minha vida”, escreveu. Ela também falou em dor, frustração e na necessidade de respirar fundo para começar outra recuperação.
E é esse “de novo” que corta. Em 2024, Julia já tinha vivido uma pancada parecida na carreira: rompeu o LCA do joelho direito durante a primeira semana da VNL, no Maracanãzinho, e acabou ficando fora dos Jogos Olímpicos de Paris. Na época, era cotada para estar na lista de Zé Roberto e precisou encarar nove meses afastada.

Agora, a lesão vem em outro momento importante. O Brasil terminou a fase preliminar da VNL na terceira colocação, atrás de Estados Unidos e Itália, e aguarda os resultados da última rodada para conhecer o adversário do mata-mata. A fase final será disputada em Macau, na China, entre 22 e 26 de julho.
Julia já iniciou fisioterapia e retornará ao Brasil para novas avaliações médicas. A CBV confirmou que ela não disputa o restante da competição. É um desfalque pesado para a seleção, tanto pela qualidade técnica quanto pela energia emocional que ela vinha carregando nessa retomada.
Eu fico pensando que esporte de alto rendimento tem uma crueldade silenciosa: a pessoa treina, volta, reconquista espaço, reaprende a confiar no corpo, e de repente um pouso errado muda o calendário inteiro. Julia prometeu voltar mais forte, mais madura e ainda mais grata por fazer o que ama. A gente acredita. Mas, antes disso, dá licença que a torcida também precisa ficar revoltada um pouquinho.