Neymar apareceu em mais uma atividade fora dos gramados depois da eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. O jogador participou da World Series of Poker, em Las Vegas, em uma categoria com entrada avaliada em US$ 10 mil, cerca de R$ 51 mil na conversão atual.
Eu ainda estava na sala, tentando fazer o controle remoto obedecer como se ele fosse funcionário em treinamento, quando apareceu Neymar em Las Vegas, no poker. Respirei fundo, olhei para o teto e pensei: esse menino está doido para trocar de esporte, só pode. O Brasil mal terminou de catar os cacos do vexame na Copa, ele já foi esculachado por aparecer curtindo parque na Disney, e agora surge sentado numa mesa de cartas como se a eliminação tivesse sido apenas uma rodada ruim.

A presença do jogador foi confirmada pela própria organização do evento. “Bem-vindo ao WSOP 2026, Neymar Júnior. O super astro do futebol brasileiro entrou no torneio de 10.000 dólares six-max após seu país ser eliminado da Copa do Mundo da FIFA há cerca de uma semana”, publicou a World Series of Poker.
A frase da organização já veio com aquela delicadeza de quem coloca o dedo na ferida sorrindo. “Após seu país ser eliminado” é o tipo de legenda que parece formal, mas carrega um caminhão de constrangimento. A Seleção caiu para a Noruega nas oitavas, e se tivesse avançado, estaria disputando quartas de final contra a Inglaterra. Neymar, porém, já estava em outra mesa, literalmente.
Desde a eliminação, o camisa 10 tem aproveitado o período nos Estados Unidos. Antes do poker, ele foi visto no Epic Universe, novo parque do Universal Orlando Resort, na Flórida. O passeio virou munição para críticas, especialmente depois de Craque Neto detonar o jogador ao vê-lo circulando em carrinho no parque e ironizar o cansaço do atleta.

Agora, a ida a Las Vegas alimenta de novo a sensação de que Neymar virou personagem de um pós-Copa paralelo: enquanto o torcedor ainda debate vexame, escalação, frustração e vergonha nacional, ele aparece entre parque, carrinho, poker e foto com fã. É aquele contraste que a internet não perdoa, porque parece que o luto esportivo durou menos que fila de brinquedo com fast pass.
A competição de poker segue até quarta-feira e reúne jogadores de diferentes países. Neymar, vale lembrar, é fã antigo da modalidade e já participou de outros eventos do tipo. O problema não é jogar poker. O problema é o timing. Porque quando o país acabou de cair de cara no Mundial, qualquer ficha colocada na mesa vira meme com legenda pronta.
O retorno do jogador ao Santos está previsto para a próxima sexta-feira. Um dia antes, o clube paulista encara o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro, no estádio Nilton Santos. Até lá, Neymar segue fora dos gramados e dentro do noticiário por motivos que irritam mais do que explicam.
Eu não sei se ele quer ser atacante, golfista, jogador de poker ou guia turístico de parque americano. Só sei que, para quem era tratado como esperança do Brasil na Copa, Neymar está se dedicando com uma energia impressionante a qualquer modalidade que não envolva resolver o problema do futebol brasileiro.