Gente, eu estava em casa hoje numa correria deliciosa, panela no fogo, mesa posta pras amigas que vêm almoçar e fingir que é reunião de trabalho, e a televisão ligada na abertura da Copa do Mundo, quando o telefone tocou com a fofoca que parou minha cozinha. Larguei a colher de pau na hora. A fonte do outro lado, ofegante, me soltou a notícia que eu vou repassar pra você agora mesmo, porque almoço espera, mas furo de coluna não.
O protagonista da vez é o Desembargador Federal João Pedro Gebran Neto, do TRF da 4.ª Região, aquele nome que você leu mil vezes nos tempos áureos da Lava Jato, onde ele atuou como um dos relatores. Pois o homem que passou anos lendo processo recheado de propina resolveu trocar a toga pela máquina de escrever e fez o que toda diva pop faz quando quer causar: lançou álbum duplo. São dois romances de uma tacada só pela Editora Appris, o “Operação Santa Catarina: o crime compensa?” e o “Operação Fênix: o renascimento da justiça?”. Debut duplo, minha querida, dá trabalho até pra Beyoncé.

E o roteiro promete, viu. No “Operação Santa Catarina”, a estrela é a advogada Catarina Bianchi, uma criatura fictícia que eu já apelidei de Barbie dos Editais, especialista em manipular licitação e fazer a ponte de propina entre empreiteira e agente público no Paraná, com direito a offshore, doleiro, codinome e conta engordando na Suíça e no Panamá. Já o “Operação Fênix” sobe o tom da treta, com dois colaboradores assassinados antes de depor e um duelo entre ex-colegas de faculdade, o juiz Hermes, todo correto, contra o conselheiro de tribunal de contas Wenceslau, o vilão corrupto que manda matar. É a novela das nove que o jurídico brasileiro merecia e nunca teve coragem de roteirizar.

E olha, não é amador batendo perna em território alheio. O moço tem trinta e sete anos de carreira jurídica, quatro como promotor no Ministério Público do Paraná e trinta e três como magistrado federal, então ele sabe exatamente de onde tirou o material. Ele faz questão de avisar que tudo é ficção, mas que os métodos não estão nada distantes do que chegou a julgamento de verdade. O gênero, esse thriller jurídico que faz John Grisham vender rios de dólar lá fora, ainda engatinha por aqui, e o Gebran chega chegando com um recado afiado sobre o tema que mais me interessa nessa fofoca: segundo ele, quando a impunidade vira quase certeza, a criminalidade prospera em todos os andares, e o silêncio dos bons é o verdadeiro vilão da história.
Anota na agenda quem é de Curitiba ou de plantão na cidade, porque o lançamento dos dois é no dia 15 de junho, às 19h, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Batel, no Batel. Eu, da minha poltrona com a Copa de fundo, fico de olho numa única coisa: se o desembargador escreve o crime organizado com a mesma precisão com que o julgava, esse lançamento duplo vai incomodar gente que torcia pra história inteira cair no esquecimento.