Na quarta-feira (3/6), dentro da Comissão de Assuntos Metropolitanos da Alesp, o deputado Gilmaci Santos (Republicanos) decidiu que as perguntas da oposição ao presidente da Sabesp não mereciam resposta e simplesmente retirou o executivo da audiência. Só que quem presidia a sessão era a deputada Ana Carolina Serra (PSDB-SP), e ele ignorou isso com uma desenvoltura que só se vê em homem acostumado a não ser contrariado.
Gilmaci é líder do governo Tarcísio na Alesp, o que explica a pressa em blindar Carlos Augusto Leone Piani, presidente da Sabesp, de responder sobre falhas no abastecimento hídrico paulista. O que não explica, e nunca vai explicar, é o tom. Elevou a voz, interrompeu repetidamente os trabalhos e conduziu a retirada do executivo com uma postura que o próprio PSDB classificou, na nota publicada hoje, como “incompatível com a liturgia do cargo parlamentar.” Liturgia. Quando o partido adversário usa essa palavra numa nota oficial, pode ter certeza que o que aconteceu foi feio de ver.

O X paulistano pegou fogo assim que o vídeo da sessão circulou. Perfis de política e de direitos das mulheres compartilharam as imagens com o mesmo enquadramento: deputada conduzindo trabalho legítimo, colega de plenário gritando por cima. A hashtag com o nome de Ana Carolina subiu no período da tarde e o termo “violência política de gênero” voltou ao trending com força, puxado por parlamentares federais e estaduais que se posicionaram em solidariedade. O silêncio do campo do Republicanos nas redes foi o tipo de silêncio que confirma tudo.
Estava no Café Tortoni quando a nota do PSDB caiu no meu celular, e li duas vezes porque achei que tinha entendido errado. Não tinha. Paulo Serra, presidente estadual do partido, assinou o texto com nome completo e sem eufemismo: violência política de gênero, ponto final.
Meu veredito: Gilmaci Santos quis proteger a Sabesp e acabou expondo o governo Tarcísio num tema que a direita brasileira ainda não aprendeu a administrar nas redes. Ana Carolina Serra saiu da sessão com a compostura intacta e o adversário fazendo o trabalho de palanque por ela. Tem barraco que elege.