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Kátia Flávia
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Deolane Bezerra vira ré ao lado de Marcola por lavagem de dinheiro do PCC

Justiça aceitou denúncia do Ministério Público contra a influenciadora, que segue presa em Tupi Paulista, e negou pedido da defesa por transferência ou prisão domiciliar

Kátia Flávia

18/06/2026 15h30

Deolane Bezerra virou ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Deolane Bezerra virou ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro ligada ao PCC

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Deolane Bezerra ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Além da influenciadora e advogada, também viraram réus Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, e familiares do líder da facção.

Eu já tinha saído do restaurante com o estômago embrulhado de susto e sobremesa intocada, quando essa notícia chegou pesada no telefone. Parei na calçada antes de chamar o carro. Porque Deolane virar ré ao lado de Marcola não é só mais uma manchete de celebridade envolvida em confusão. É o tipo de virada que tira o caso da bolha dos stories e joga direto no corredor mais duro da Justiça criminal.

A decisão foi do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026 na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Ao aceitar a denúncia, a Justiça dá início à ação penal, mas isso ainda não significa condenação.

O caso foi conduzido a partir do Gaeco, núcleo de Presidente Prudente. A denúncia foi assinada por Lincoln Gakiya, promotor conhecido pela atuação no combate ao PCC, e por outros seis promotores. Segundo o Ministério Público, familiares ou pessoas de confiança de líderes da facção receberiam ordens para distribuir renda ilícita obtida com uma empresa de transportes.

De acordo com a acusação, valores teriam sido depositados em favor de Deolane, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho, sendo os dois últimos sobrinhos de Marcola. O MP afirma que relatórios de inteligência financeira, quebras de sigilo fiscal e bancário indicam ocultação e dissimulação de dinheiro ilícito, com reinserção dos valores na economia formal para dar aparência de legalidade.

Também se tornaram réus Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Everton de Souza e o próprio Marcola. A defesa de Deolane havia pedido transferência para uma Sala de Estado-Maior, por ela ser advogada inscrita na OAB, ou a substituição da prisão preventiva por domiciliar.

A Justiça, no entanto, recusou os pedidos. O Ministério Público sustentou que prisão domiciliar não deve ser concedida em casos de organização criminosa que opera mediante violência. Também foi apontado que o fato de Deolane ter uma filha menor de 12 anos não deve ser analisado isoladamente, sem considerar os demais elementos do caso.

A defesa de Marcola e dos familiares citados negou as acusações. Em nota, afirmou que Marcola e Alejandro estão presos em presídio federal de segurança máxima desde 2019, com restrições severas de contato e comunicação, o que, segundo os advogados, inviabilizaria participação nos fatos investigados. A defesa também disse que vínculo familiar não pode ser confundido com participação criminosa.

Agora o processo entra em nova fase, com produção de provas e apresentação das defesas. Para Deolane, o peso simbólico é enorme: de advogada, influenciadora e personagem recorrente do entretenimento digital, ela passa a responder formalmente em uma ação penal que envolve lavagem de dinheiro, organização criminosa e o nome mais conhecido do PCC.

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