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Kátia Flávia
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Denize Taccto homenageia Gerson Brenner e rebate acusações

Ex-mulher do ator usou as redes sociais para lamentar a morte de Gerson Brenner e negar que o tenha abandonado após o assalto de 1998. No desabafo, ela relembrou a luta dele pela sobrevivência e disse que a separação e a guarda da filha foram definidas pela Justiça.

Kátia Flávia

24/03/2026 10h57

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O ator Gerson Brenner morreu aos 66 anos, nesta segunda-feira, 23. (Foto: Reprodução/Google Imagens)

Eu estava aqui tentando digerir mais uma dessas histórias que machucam em várias camadas, morte, memória, televisão e um passado que volta junto com a notícia, quando Denize Taccto resolveu falar. E falou do jeito que muita gente fala quando o luto vem misturado com acusação antiga, sem enfeite, sem muita paciência para a crueldade alheia e com o coração ainda aberto. Nesse caso, o adeus a Gerson Brenner não veio sozinho. Veio junto com a necessidade de defender a própria versão de uma história que, pelo visto, ainda incomoda.

O fato é que Denize, ex-mulher do ator e mãe de Vica Brenner, usou as redes sociais para lamentar a morte de Gerson e rebater a acusação de que o teria abandonado depois do assalto sofrido por ele em 1998, quando levou um tiro na cabeça. Na homenagem, ela disse que o ex-companheiro guerreou contra as injustiças do país, contra a impunidade e contra um sistema que, nas palavras dela, protege bandido e mantém o cidadão de bem refém. Também escreveu que ele sofreu na pele a insegurança, a violência e o descaso, e desejou que pudesse finalmente descansar em paz “desse mundo cruel”. É um texto de despedida, sim, mas também de indignação acumulada.

E aqui entra uma parte muito nossa, muito brasileira e muito internet, o luto já não chega limpo, chega contaminado por comentário, memória torta, acusação reciclada e gente querendo decidir a vida dos outros em cinco linhas. Denize parece ter entendido isso perfeitamente e, por isso, a homenagem dela não ficou só no campo da saudade. Ela foi também para o território da defesa pública. Ao mesmo tempo em que exalta Gerson, ela reorganiza a narrativa sobre o fim do relacionamento e sobre o período em que ele passou a viver sob os efeitos da tragédia que interrompeu sua carreira e mudou sua vida para sempre.

Segundo a publicação, Denize sustentou que a separação e a guarda da filha foram determinadas judicialmente. Ela afirmou que um juiz decidiu que ela deveria permanecer com a filha recém-nascida, enquanto Gerson ficaria com os familiares, e lembrou ainda episódios antigos ligados ao exame de DNA e às disputas que surgiram naquele período. A fala dela tem o tom de quem está cansada de ver uma história complexa ser resumida em crueldade de rodapé. E eu até entendo, porque tem hora em que a viúva simbólica que a opinião pública inventa para si não suporta que a mulher real apresente os documentos emocionais da própria vida.

Gerson Brenner, claro, segue no centro de tudo como figura trágica de uma geração. Galã de novelas, rosto forte da TV, ele teve a trajetória brutalmente alterada pelo assalto de 1998 e passou décadas carregando as sequelas de uma violência que o país nunca soube elaborar direito. Quando Denize fala em impunidade, descaso e crueldade, ela não está só homenageando um ex-marido. Está também recolocando Gerson dentro de uma história maior, a de um artista que virou símbolo de um Brasil que falha, agride e depois observa de longe.

O que sobra disso tudo é um adeus cheio de dor e também de disputa por memória, que é uma das coisas mais humanas e mais feias que existem. Denize não quis fazer postagem de luto decorativa. Preferiu fazer uma despedida com nervo, com contexto e com recado. E, sinceramente, talvez fosse exatamente isso que essa história pedisse. Porque tem morte que não encerra nada, só reabre gaveta que muita gente fingia ter trancado.

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Foto: Reprodução/Instagram

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