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Kátia Flávia
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Crystal com bactéria? Anvisa manda recolher lote de garrafas de água (e eu já abracei meu vinho)

Lote específico de garrafas de 500 ml teve presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa apontada em análises laboratoriais; comercialização, distribuição e uso foram suspensos

Kátia Flávia

03/06/2026 14h00

Anvisa determinou o recolhimento de um lote da água Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Consumidores devem verificar a numeração da embalagem e interromper o consumo caso pertença ao lote afetado.

Anvisa determinou o recolhimento de um lote da água Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Consumidores devem verificar a numeração da embalagem e interromper o consumo caso pertença ao lote afetado.

A Anvisa determinou o recolhimento de um lote da água mineral natural sem gás Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto. A medida atinge o lote P 200126, fabricado pela Mineração Bom Jesus Ltda., em Luziânia, Goiás, e suspende a comercialização, a distribuição e o uso das unidades afetadas.

Eu tinha acabado de pousar em Buenos Aires, ainda naquela fase em que a pessoa tenta parecer internacional enquanto procura a mala certa na esteira, quando a notícia apareceu. Minha boca estava seca de avião, eu já pensando em comprar uma água antes de encarar imigração, câmbio e taxista argentino, quando li “Crystal“, “bactéria” e “Anvisa” na mesma frase. Pronto. Fechei a garrafa imaginária e pensei: hoje a hidratação vai ter que negociar com a vigilância sanitária.

O lote recolhido corresponde às embalagens de 500 ml identificadas pela marcação “LZ1 VAL 200127 3 P 200126”, com validade até 20 de janeiro de 2027. A informação pode ser encontrada diretamente no corpo da embalagem.

Segundo dados informados pela fabricante, o lote reúne aproximadamente 374,4 mil garrafas. A distribuição ocorreu para o Distrito Federal, Goiás, Tocantins e São Paulo. No estado paulista, as unidades chegaram a cidades como Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí.

A investigação começou após uma coleta de rotina realizada pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal. A análise feita pelo Laboratório Central de Saúde Pública detectou a presença da bactéria, resultado posteriormente confirmado por contraprova dentro dos protocolos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

A orientação para consumidores que tenham adquirido garrafas pertencentes ao lote afetado é interromper imediatamente o consumo e procurar os canais de atendimento da empresa para solicitar substituição ou reembolso.

A fabricante informou que iniciou o recolhimento junto às distribuidoras e afirmou que aproximadamente 99,2% das unidades já não estariam mais disponíveis para venda ao consumidor final. A empresa também declarou ter realizado mais de 300 análises adicionais em processos e produtos, todas com resultado negativo para microrganismos indicadores de contaminação.

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria amplamente encontrada no ambiente e pode provocar infecções oportunistas, especialmente em pessoas imunossuprimidas ou com condições de saúde que comprometam o sistema imunológico. Por esse motivo, sua presença em água envasada é considerada uma não conformidade sanitária relevante.

Saí da área de bagagens com a mala, o casaco no braço e uma decisão muito madura para uma mulher recém-chegada à Argentina: primeiro eu passava no hotel, depois pensava em água. Porque uma coisa é desembarcar com sede. Outra é descobrir que até a garrafinha de 500 ml resolveu entrar em operação da Anvisa. Se a Crystal está em recolhimento, minha filha, Buenos Aires que me perdoe: por enquanto, eu vou confiar no vinho.

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