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Kátia Flávia
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“Come Together”, mas nem tanto: Inglaterra deixa estrelas fora da Copa ao som dos Beatles

Seleção inglesa usou clássico dos Beatles para anunciar convocação, mas cortes de nomes como Foden, Palmer e Alexander-Arnold roubaram a cena

Brenno

22/05/2026 15h30

Thomas Tuchel anunciou a lista definitiva da Inglaterra para a Copa do Mundo de 2026 ao som dos Beatles

Thomas Tuchel anunciou a lista definitiva da Inglaterra para a Copa do Mundo de 2026 ao som dos Beatles

A Inglaterra anunciou nesta sexta-feira (22) a lista definitiva para a Copa do Mundo de 2026 ao som de “Come Together”, dos Beatles, mas a trilha sonora de união terminou em barulho, cortes inesperados e muita gente grande deixada em casa. Eu ainda estava no Jardim Botânico, com meu suco de melancia na mesa e minha fonte da televisão tentando me convencer de que “não era fofoca, era informação sensível”, quando o celular vibrou com o vídeo da convocação inglesa. Dei play, ouvi Beatles, vi a lista e pensei: “Come together onde, meu amor? Aqui separaram foi metade da Premier League do Mundial”.

O anúncio teve clima de superprodução, daquele jeito inglês de transformar até lista de convocados em peça de marketing com trilha clássica, estética bonita e suspense calculado. A escolha de “Come Together” parecia feita para vender unidade, força coletiva e seleção fechada com Thomas Tuchel. Só que, assim que os nomes começaram a circular, o que apareceu mesmo foi uma convocação cheia de ausências capazes de desafinar qualquer refrão.

Alexander-Arnold, lateral do Real Madrid, Cole Palmer, meia do Chelsea, e Phil Foden, ponta do Manchester City, ficaram fora dos 26 convocados. Três nomes fortes, badalados e acostumados a manchete grande. A ausência deles provocou reação imediata da torcida e da imprensa inglesa, ainda mais depois dos vazamentos que já vinham movimentando o dia.

Também ficaram fora Harry Maguire, do Manchester United, Lewis Hall, do Newcastle, e Fikayo Tomori, do Milan. Em um país que trata convocação como julgamento público com chá preto, terno escuro e indignação organizada, a lista virou assunto antes mesmo de o vídeo terminar de tocar.

Tuchel, no entanto, manteve a espinha dorsal da seleção com nomes de peso. Harry Kane, do Bayern de Munique, Jude Bellingham, do Real Madrid, e Bukayo Saka, do Arsenal, aparecem entre os escolhidos para disputar o Mundial. Ou seja: estrela ainda tem. O que não teve foi cadeira garantida para todo mundo que achava que já estava com passaporte carimbado.

A convocação marca a primeira lista definitiva da Inglaterra sob o comando de Thomas Tuchel para uma Copa do Mundo. O técnico alemão assumiu a missão de tentar levar a seleção a um título que o país persegue desde 1966 e começou sua caminhada com uma tesoura afiada o bastante para cortar nomes que parte da torcida considerava intocáveis.

Minha fonte, que jura não entender de futebol, olhou por cima do cardápio e soltou: “Mas esse Foden não era importante?”. Era, querida. Esse é justamente o ponto. Thomas Tuchel não fez uma lista para agradar mesa de bar, comentarista, fantasy game nem fã-clube de camisa oficial. Fez uma convocação com assinatura própria, daquelas que já chegam dizendo: quem manda aqui sou eu.

No fim, a Inglaterra escolheu “Come Together” para embalar a convocação, mas produziu exatamente o contrário: separou torcida, imprensa, ex-jogadores e especialistas em grupos de indignação. Se der certo, Tuchel vira gênio. Se der errado, cada nome cortado vai voltar como fantasma de Copa. E fantasma inglês, minhas filhas, tem tradição, sotaque, memória longa e agora trilha sonora dos Beatles.

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