A CBF ficou em silêncio após o prazo que teria pedido para explicar os gastos atribuídos ao presidente Samir Xaud com acompanhantes em viagens internacionais. Segundo o portal LeoDias, a entidade havia solicitado até 13h desta terça-feira (16) para prestar esclarecimentos sobre os custos questionados, mas, até a publicação desta nota, não havia manifestação pública localizada sobre o caso.
Eu já estava no carro, com o cabelo ainda meio úmido do banho da academia e a garrafa de água abandonada no banco, quando olhei o relógio e vi que o prazo tinha passado. Aí, meu amor, fechei a cara. Porque quando a CBF pede hora para explicar suíte, acompanhante e dinheiro de entidade, a gente espera resposta. Silêncio, nesse caso, não é intervalo de jogo. É barulho de crise aumentando.

O caso começou depois que Leo Dias revelou que Samir Xaud teria usado a estrutura da CBF em viagens internacionais envolvendo mulheres próximas ao dirigente. A denúncia mais explosiva apontou que Camila Cristina Andrade, empresária fitness de Roraima, ficou hospedada em Nova York em uma reserva vinculada ao presidente da CBF.
Camila esteve no Hyatt Regency Grand Central entre os dias 2 e 10 de junho. A conta da hospedagem teria totalizado R$ 59.424,81. Ela também teria sido vista ao lado de Samir em um jantar no Harry Cipriani, em Manhattan, no dia 3 de junho, e os dois teriam deixado o local no veículo alugado que atendia o dirigente.
Após os questionamentos, Samir teria feito o pagamento da conta do hotel em Nova York com recursos próprios, e comprovantes teriam sido enviados por amigos próximos do presidente da CBF. Ainda assim, a entidade ficou de apresentar explicações sobre os custos e a dinâmica das despesas.
A situação ficou ainda mais pesada com a revelação de outro caso, envolvendo a influenciadora e farmacêutica Tamires Fernandes Barcellos, conhecida como Tata Barcellos. Ela teria viajado para Doha, no Catar, em dezembro do ano passado, para acompanhar a final do Mundial Interclubes entre Flamengo e PSG.
Tata teria embarcado em classe executiva da Emirates e ficado hospedada no The Ritz-Carlton Doha entre os dias 15 e 19 de dezembro. A reserva foi feita em nome dela, mas a cobrança da hospedagem, no valor de R$ 17.424, teria sido direcionada à CBF. A influenciadora ainda teria circulado pela área VIP da final.
As denúncias também apontam que os episódios de Nova York e Doha não seriam isolados. Ao longo de um ano, Samir teria levado amigos, familiares e mulheres para eventos esportivos internacionais usando recursos ou estrutura ligados à confederação. Os gastos acumulados poderiam chegar a aproximadamente R$ 1 milhão.

O silêncio da CBF pesa porque a entidade vive um dos momentos de maior exposição internacional, com a Seleção Brasileira disputando a Copa do Mundo. Nos bastidores, segundo o portal LeoDias, jogadores e integrantes da comissão técnica já teriam sido informados sobre os gastos atribuídos ao presidente e demonstrado desconforto com a situação.
Agora a pergunta é simples: se estava tudo regular, por que a resposta não veio no prazo prometido? Porque suíte de quase R$ 60 mil, Ritz-Carlton, classe executiva, área VIP e acompanhante sem função conhecida não se explicam com fumaça. Se a CBF quer falar em transparência, vai precisar abrir a planilha antes que a crise vire goleada.