Estava passeando pelo calçadão histórico de Colônia del Sacramento quando o vídeo do turista que pulou nas águas das Cataratas do Iguaçu para recuperar o celular tomou conta do meu feed. A cena de ontem virou o assunto do dia, todo mundo reagiu, todo mundo compartilhou. Mas a história que ninguém contou é que esse rapaz não foi o primeiro em 2026, foi o terceiro.
Em janeiro, um turista pulou a grade de proteção da Garganta do Diabo, no lado argentino do parque, para pegar um chapéu que havia caído. Em fevereiro, outro visitante segurou um bebê por cima da grade a 80 metros de altura para tirar uma foto. Ontem, o celular. São três episódios em menos de seis meses, todos filmados por outros turistas, todos viralizados, e todos encerrados sem punição divulgada por nenhuma das administrações do parque.
O que isso diz sobre comportamento é mais interessante do que qualquer um dos três casos isolados. As Cataratas receberam mais de 2 milhões de visitantes em 2025, recorde histórico. Mais gente, mais celular na mão, mais vontade de um vídeo que vai longe nas redes. O parque virou locação de conteúdo e a passarela virou set de gravação onde as regras parecem sugestão.
O ICMBio prevê multa de R$ 500 a R$ 10 mil para infrações desse tipo no parque nacional brasileiro. Nenhum dos três casos resultou em autuação conhecida. Em algum momento alguém vai cair de verdade, e aí todo mundo vai fingir surpresa.