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Kátia Flávia
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Caso Ganley: Cariani escorrega no ego, se diz “presidente da comunidade” e recua após críticas: “Termo errado”

Influencer fitness tentou explicar seu papel no meio, escorregou feio na vaidade e voltou às redes para se desculpar

Kátia Flávia

01/06/2026 14h03

Renato Cariani pediu desculpas após dizer que era como uma espécie de “presidente da comunidade” fitness

Renato Cariani pediu desculpas após dizer que era como uma espécie de “presidente da comunidade” fitness

Renato Cariani pediu desculpas depois de dizer que era como uma espécie de “presidente da comunidade” fitness ao comentar a cobrança que recebe para se posicionar sobre temas do meio. A fala veio no contexto da morte de Gabriel Ganley, de 22 anos, e da repercussão do vídeo em que Léo Stronda aparece aplicando uma injeção de anabolizante no jovem diante das câmeras.

Eu estava atravessando a cidade rumo à Barra da Tijuca, com reunião no Shopping Hills e o humor de quem já saiu de casa atrasada, nervosa e tentando falar com meio mundo ao mesmo tempo, quando Cariani resolveu entrar no meu radar. Eu vinha de uma sequência indigesta: Léo Stronda aplicando anabolizante em Gabriel Ganley em vídeo, seringa assinada como lembrança, “batismo no mundo da bomba” e agora Cariani se explicando porque se chamou, veja bem, “presidente da comunidade”. Minha filha, o fitness brasileiro conseguiu transformar academia em república federativa da testosterona.

O mote não é apenas o pedido de desculpas. O ponto é o tamanho que esses influenciadores passaram a ocupar dentro de um universo em que corpo, audiência, suplemento, hormônio e idolatria se misturam sem freio. Quando um jovem morre aos 22 anos, um vídeo de aplicação viraliza e o maior nome da bolha precisa explicar que não é “presidente” de nada, a conversa já saiu do halter e foi parar no campo da responsabilidade pública.

Cariani publicou um vídeo de retratação após a repercussão negativa. Ele disse que havia gravado um conteúdo sobre Gabriel Ganley e tentou explicar que é muito cobrado, especialmente por pessoas “fora da bolha”, a se posicionar quando algo acontece no meio fitness.

“Esse é um vídeo de reconsideração e pedido de desculpas sobre uma fala que eu tive recentemente num vídeo e que eu gostaria de explicar para vocês. Recentemente eu gravei um vídeo no YouTube sobre a questão do Gani e ali eu expliquei o quanto eu sou pressionado, principalmente pela galera fora da bolha, para tomar uma atitude ou realizar algum tipo de posicionamento quando algo acontece”, afirmou.

Na sequência, Cariani citou as cobranças que recebe. “Sou cobrado: ‘você não vai falar nada?’, ‘qual é a sua posição sobre isso?’, ‘vai ficar passando pano?’, ‘vai ficar se omitindo?’. Sou muito cobrado, principalmente fora da bolha”, disse.

Foi aí que veio a frase que pegou mal. Ao tentar justificar o nível de cobrança, Cariani afirmou que, na visão dele, era como se ocupasse uma posição de liderança na comunidade fitness: “Usei um termo, eu falei assim: ‘é como se eu fosse uma espécie de presidente da comunidade’. Isso não soou legal, não foi legal, as pessoas viram isso com um tom de arrogante, eu permiti com que as pessoas vissem isso, na verdade. Usei o termo errado e tô aqui para pedir desculpa”.

O problema é que a frase não caiu no vazio. Ela apareceu em um momento em que o meio fitness está sendo cobrado pela forma como anabolizantes são tratados nas redes: com apelido fofo, estética de bastidor, narrativa de evolução e, em alguns casos, espetáculo puro. No Fantástico, Léo Stronda apareceu aplicando uma injeção em Gabriel Ganley pouco depois de o jovem abandonar a imagem de atleta natural. A cena não é detalhe. É símbolo.

Cariani tentou recuar. “Infelizmente nós produzimos muitos vídeos na internet, vídeos ao vivo, e eu sou um ser humano, sou passível de errar. O importante não é errar, o importante é saber entender quando errou e pedir desculpa. Então, por favor, peço desculpas, principalmente a quem eu ofendi dessa forma”, afirmou.

Cariani encerrou dizendo que usou um termo ruim e que não tinha intenção de agir com arrogância. “Usei um termo que não foi legal, que não foi bem apreciado e tô aqui para retirar esse termo, tá bom? Obrigado gente, tamo junto, um ótimo domingo a todos.”

Eu cheguei perto da Barra ainda tentando retorno de Stronda e Cariani, com o celular fervendo e a reunião me esperando como se a vida não tivesse acabado de me entregar uma tese sobre vaidade masculina com whey protein. O pedido de desculpas está feito, registrado e publicado. Mas a pergunta que fica é outra: se ninguém é presidente dessa comunidade, por que tanta gente age como se tivesse poder de decretar o que é normal, o que é aceitável e o que pode virar conteúdo?

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